Artigo: Nokia, por favor, mate o Symbian
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Em uma jogada surpreendente, a Nokia anunciou na última segunda-feira (8/11) que estava retomando o controle sobre o Symbian, sistema operacional open source para smartphones. A plataforma é uma das mais antigas que continuam no mercado e sempre foi a preferida da empresa finlandesa.
O grande investimento que a Nokia vem fazendo no Symbian é um fato inusitado, visto que, há um ano, a fabricante avisou que não mais usaria o sistema em seus dispositivos de alto desempenho, preterindo-o pelo MeeGo. No entanto, o seu novo projeto não ficou pronto a tempo de incluí-lo no N8 – sua última cartada no mercado de smartphones – e o resultado, todos já sabem: Symbian nele.
Independentemente de seus motivos, é inegável que a Nokia precisa se mexer. O mercado de sistemas operacionais para dispositivos móveis está caótico e competitivo, mas, por enquanto, duas plataformas atraem a maior parte dos dólares: o Android, que está aí para todos os fabricantes, e o iOS, que é da Apple e só da Apple.
Honestamente, soaria falso se eu dissesse que me importo com o futuro da Symbian. Na verdade, meu desejo é bem simples: que ele seja eliminado – e este parece ser o momento ideal para isso.
Devido a uma série de más decisões de compra na última década, o SO da Nokia esteve por muito tempo ao meu lado – até que eu resolvi bani-lo. O mesmo se deu com o Windows Mobile. Tolerei ambos por certo período, mas sempre os odiei.
Em poucas palavras, o Symbian falhou miseravelmente na hora de acompanhar a evolução de seus rivais. Alguns produtos conquistam seu espaço por serem extremamente customizáveis, outros tem um design profundamente atraente. O Symbian não é nem uma coisa, nem outra.
Antigo Regime
Tudo começou no fim da década de 90, quando adquiri vários dispositivos Psion, inclusive o Psion 3 e o 5. Naquele tempo, o Symbian – ou EPOC, como era conhecido – era bem útil, afinal, ter qualquer tipo de SO em um micro de mão (conhecido aqui no Brasil como palm) já era algo admirável, e o seu maior rival, o Windows CE, era deprimente.
No entanto, alguns anos depois, o Symbian chegou aos smartphones, e aí que ele começou a se atrapalhar. Minhas principais reclamações eram quanto à sua lentidão e usabilidade complicada. Acredito, inclusive, que um dos ciclos do inferno consiste em clientes tentando configurá-lo, mas, já que estamos falando das trevas, eles teriam o dispositivo grudado às suas mãos – assim, não poderiam jogá-los contra a parede, algo que cheguei a fazer diversas vezes.
Meu último celular da plataforma foi o Nokia 6680. Pelos dois anos que o usei, uma proteção de tela animada, e irritante, era exibida toda vez que o ligava, e não encontrei um modo de desativá-la. Por favor, entenda que eu sei uma coisa ou outra sobre tecnologia, não sou um senhor de 80 anos que ganhou um celular sem nunca ter desejado. Ainda assim, gastei horas e mais horas tentando acertar o meu Symbian de acordo com as minhas preferências.
Smartphones
Compreendo que pode parecer tolo, mas me mantive com a Nokia por um bom tempo na esperança de que o próximo Symbian melhorasse. Toda vez, no entanto, me via contrariado: a cada lançamento, o que era ruim, ficava pior.
Ano passado, estava com o Nokia E71, que contém o Symbian S60. Quanto ao hardware, tenho pouco do que reclamar; ele vinha com os recursos necessários, como GPS e Wi-Fi. O problema é que o SO faz de tudo para que eu tenha dificuldade em acessar tais funções, ou que pelo menos elas não sejam nem um pouco divertidas. Ele é lento. Trava. Pior, nos primeiros segundos de uma ligação, ninguém me escuta – aprendi a esperar alguns instantes ante de começar a falar. E para enviar mensagens? Preciso selecionar dezenas de opções.
Essa é a principal questão em relação ao Symbian. Às vezes penso que ele me odeia. Por mais que interfaces mais “humanas” estejam aí, a plataforma continua presa ao conceito “clique aqui e, agora, aqui”. O último Symbian, a terceira versão, conseguiu alguns avanços, mas está claro que ele só está tentando não se distanciar muito do iOS ou do Android. A história nos diz que, quando uma tecnologia tem anseios tão modestos, ela acaba sendo eliminada.
Meu aviso à Nokia, portanto, é esse: descontinue o Symbian agora. Mande-o para uma fazenda onde poderá brincar com o Windows Mobile e o Palm OS. Esqueça essa estranha hostilidade em relação ao Android e teste-o. Seus clientes irão adorar.


