Análise: Google Voice é útil, funciona e é de graça

Computerworld/US
24 de junho - 17h06 - Atualizada em 15 de março - 14h15
Aplicativo cumpre o que promete e unifica todos telefones em um só; por enquanto só para americanos e canadenses.

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Antes, um segredo: eu odeio telefones. Fico irritado ao ser interrompido por seu toque quando estou escrevendo. Celular, então, nem pensar (por mais que eu o use). E fico cansado e doente a cada dois anos quando compro novos aparelhos. Por isso, além de muitas outras coisas, adorei o lançamento do Google Voice e o considero uma grande notícia para os usuários – quer dizer, pelo menos para os que vivem nos Estados Unidos.

Para quem quer ter total controle sobre o uso de seu telefone o Google Voice é ideal. É de graça e permite a unificação de todos os números – casa, trabalho, celular – em um só. Ainda tem a vantagem de oferecer transferência de chamadas, secretária eletrônica e gravação de conversas.

Estou usando o serviço há mais de um ano e estou animado com o fato de que muitas pessoas poderão começar a usá-lo. Desde o início, queria falar com meus amigos, gratuitamente, por ele, e agora eu posso.

Mas, afinal, como o Google Voice funciona? Primeiro, você deve se cadastrar para conseguir uma conta, assim como em qualquer outra aplicação Google – ou seja, basta o login e a senha de seu ID Google. Em seguida, você poderá escolher entre receber um novo número Google ou manter seu próprio e vinculá-lo ao serviço. Caso você se decida pela primeira opção, o código de área será o de sua preferência; eu, por exemplo, coloquei o de uma cidade na qual tenho muitos amigos e parentes. Com ele, posso transferir chamadas para outros seis telefones, mandar mensagens de graça para qualquer celular do país e ainda montar conferências com até quatro pessoas.

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Há a opção de definir regras para o encaminhamento de chamadas de pessoas ou grupos. Se a esposa ligar, todos os telefones tocarão, se alguém desconhecido tentar contatá-lo, direto para a secretária eletrônica, para colegas de trabalho só o telefone profissional será acionado. É por sua conta.

O inverso também funciona. Ao telefonar para alguém, é possível definir de qual número a ligação será feita. É irrelevante o local de onde se esteja fazendo o contato, pode-se escolher o número de casa ou do escritório.

Outro recurso é o de transcrição de recados, que serão encaminhados diretamente para a sua conta do Gmail. A ferramenta ainda não funciona perfeitamente, mas é boa o suficiente a ponto do texto ser compreensível.

O Gmail também é útil para SMS. Ao receber uma mensagem, posso ser notificado tanto no email quanto no meu celular Android, aí basta lê-la e responder pelo Google Voice ou, claro, pelo próprio Gmail. Infelizmente, o aplicativo não funciona para iPhone e o site do serviço não é tão fácil, nem tem tantas ferramentas, como o programa para celular.

O único problema do Google Voice é, veja só, o serviço de voz. Ele não é, rigorosamente, um aplicativo VoIP (Voz sobre IP) como o Skype, ou seja, não substitui o telefone. Se assim o fosse, não pensaria duas vezes em abandonar todas as minhas outras linhas.

Seria negligência de minha parte, no entanto, se não falasse nada sobre as questões de privacidade (sempre ela). Segundo a política de privacidade do serviço, “os servidores Google automaticamente coletam informações de acesso (incluindo números de entrada e de saída, hora e data da ligação, duração e tipos de chamada)”. Eu posso viver com isso, mas, talvez, você se sinta desconfortável com tal postura.

Pessoalmente, acredito que o Google Voice não é apenas o melhor aplicativo gratuito de voz, mas um dos melhores programas disponíveis em toda a internet. E você, concorda comigo?

(Steven J. Vaughan-Nichols)