Chrome OS traz de volta o 'web appliance'
Quem esperava por uma versão beta do Chrome OS durante o encontro do Google com a imprensa na Califórnia (EUA) na quinta-feira (19/11), se decepcionou. “Não há beta”, disse o vice-presidente de produtos do Google, Sundar Pichai.
Mas desenvolvedores em busca de mais detalhes sobre o projeto receberam o que queriam, pois o Google liberou o código do Chrome OS com uma licença de código aberto. “A partir de hoje o código será totalmente aberto”, disse o diretor de engenharia do Chrome OS Matt Papakipos, “o que significa que os desenvolvedores do Google irão trabalhar no mesmo passo dos desenvolvedores externos.”
No coração do novo OS está o navegador Chrome, desenvolvido como alternativa ao Internet Explorer, Firefox e outros.
Um computador com Chrome OS funcionará sem aplicativos instalados localmente, e documentos e outros dados serão mantidos numa “nuvem” de armazenamento na web.
“Com o Chrome OS, toda aplicação é uma aplicação web”, explicou Pichai.
Aplicações rodando Chrome OS poderão contar com a adesão do Chrome aos padrões do HTML 5 e um veloz motor de JavaScript (que, segundo o Google, é 38 vezes mais rápido que o do IE8).
O Google também demonstrou aplicações do Chrome OS feitas em Flash, e disse que sua tecnologia Native Client estaria disponível na plataforma. Native Client é uma tecnologia similar ao ActiveX que se baseia em plug-ins para interagir com os recursos do sistema em que está instalado.
Integração com hardware
O Chroms OS terá uma vantagem adicional sobre outros navegadores, afirma o Google, porque terá uma forte integração com o hardware no qual funciona, ressaltou Papakipos.
Isso significa que as aplicações web sob Chrome OS serão capazes de tirar vantagem de recursos como multiprocessamento e aceleração por GPU.
O Chrome OS vai depender de aplicações de terceiros para lidar com tipos de arquivo que não são da web. Como exemplo, o Google demonstrou a abertura de uma planilha Excel com o aplicativo web Excel 2010 da Microsoft. “Parece que a Microsoft já tem uma aplicação matadora para o Chrome OS”, provocou Pichai.
Uma ausência da apresentação do Google foi qualquer menção ao Linux. Embora o Chrome OS tenha o núcleo deste sistema como base, os usuários não deverão esperar por uma distribuição Linux tradicional.
Ligar e usar
O que o Google quer é entregar dispositivos portáteis de acesso à internet que possam ser ligados rapidamente e coloquem os usuários diretamente em contato com o navegador. (Uma máquina com Chrome OS leva 7 segundos para carregar o sistema, diz o Google, e esse tempo deve diminuir ainda mais.)
O Chrome OS foi demonstrado em um Eee PC de prateleira, mas a empresa não espera que os usuários baixem o Chrome OS para instalá-los em seus PCs atuais.
A ideia é que o sistema venha pré-instalado em novos netbooks. O Google diz que o Chrome OS de hoje roda na geração atual de ultraportáteis, mas está trabalhando bem de perto com parceiros de hardware para produzir seus próprios aparelhos, que servirão depois de referência para os fabricantes lançarem seus próprios produtos com Chrome OS.
Quando a primeira onda de dispositivos com Chrome OS aparecer em 2010, eles serão pequenos computadores com o conhecido formato de concha, com tela, touchpad, e teclado.
Sem disco rígido
Não serão celulares ou tablets, mas também não terão discos rígidos. O Google diz que suportará apenas discos de estado sólido (SSD), porque eles reduzem o consumo de bateria e ajudam a melhorar o tempo de carga do sistema.
O Google não quis especular sobre o preço que esses aparelhos terão quando forem lançados no ano que vem, e disse que sequer sugeriu um preço-alvo a seus parceiros de fabricação. Supõe-se que, sem disco rígido e com recursos limitados de armazenamento local, os aparelhos com Chrome OS custarão consideravelmente menos que os netbooks com Linux ou Windows de hoje.
O Chrome OS também será capaz de funcionar nos chamados smartbooks que usam a arquitetura ARM de processadores, o que poderia diminuir ainda mais o preço.
O mais importante objetivo do Chrome OS foi criar aparelhos rápidos, fáceis e agradáveis de usar, tendo como ponto de vista as necessidades de um usuário comum. “Nós queremos fazer dele um sistema rápido e que seja uma delícia de usar. O que nós queremos é que você aperte o botão On e ele passe a funcionar, e que você esteja na web o mais rapidamente possível”, disse Papakipos.
Segurança
Como as aplicações do Chrome OS são baseadas na web, os usuários não precisarão instalar ou manter qualquer tipo de software. E mais: o sistema e as aplicações serão carregados mais rapidamente do que hoje. “Não rodamos aplicações convencionais, por isso não precisamos iniciar serviços de fundo para elas”, explicou Papakipos.
O Google admite que brechas de segurança serão inevitáveis no Chrome OS, tal como acontece com outras plataformas. Mas, segundo a empresa, o Chrome OS será inerentemente mais seguro que os sistemas tradicionais, porque as atualizações mais recentes de software e de segurança do sistema serão instaladas automaticamente pela web.
Aparelhos com o Chrome OS serão capazes de detectar se as últimas correções de segurança estão instaladas, e serão capazes até de aplicar uma nova imagem do sistema, preservando as configurações de usuário.
Armazenar dados do usuário na nuvem também tem vantagens, completou Pichai, explicando que um objetivo do Chrome OS foi permitir que usuários possam trocar de dispositivo, ou mesmo compartilhar dispositivos, mantendo preservadas suas configurações e preferências individuais.


