“Halo 3” inaugura nova era no desenvolvimento de games

Redação, do IDG Now!
21 de setembro - 19h25 - Atualizada em 15 de março - 12h29
São Paulo - Game, que será lançado na próxima terça-feira (25/09), é aposta da Microsoft para ganhar espaço na batalha dos consoles.

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dest_88Já foi dito que games não passam de uma representação mágica da realidade, com seu apanhado de aviões de caça, soldados, jogadores de futebol e monstros que vivem apenas na imaginação.

Como um game não passa de um ambiente virtual controlado, habitado por tantas criaturas moldadas pelos programadores, seria estranho apostar na reprodução também da aleatoriedade que atinge nossa vida de verdade.

> Veja imagens do Halo 3

Por que não fazer do game um ambiente em constante evolução que, quando o usuário pegar o controle na mão, não haverá dúvidas de que ele se divertira, ao invés de simplesmente colocar o título da prateleira e torcer pro seu sucesso?

A partir da premissa que games também representam uma forma de arte, não haveria melhor maneira de definir “Halo 3”, que a Microsoft lança mundialmente na próxima terça-feira (25/09) para o Xbox 360, do que um metódico trabalho para se ter algo confiavelmente prazeroso para jogadores.

Vale lembrar, porém, que o que se destaca aqui não é a terceira aventura do personagem Master Chief, que tem uma comunidade de fás estimada em 15 milhões de pessoas, mas sim uma tendência que games devem abraçar no futuro que “Halo 3” representa muito bem: a modelagem da diversão.

Ao invés de formatar o jogo ao seu bel prazer, desenvolvedores estão descobrindo que jogos eletrônicos precisam ser testados antes de sua estréia comercial caso queiram descobrir problemas que poderão atrapalhar gamers e, conseqüentemente, afundar as vendas do título.
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A programação principal de “Halo 3”, como personagens, armas, veículos e fases, estava a todo vapor no primeiro semestre. Quando as primeiras fases foram sendo finalizadas, a Bungie, estúdio por trás da série Halo, resolveu começar a dilapidar o título.

Desde o começo do ano, o estúdio, comprado pela Microsoft em 2000, vem gastando meses afinando a diversão de “Halo 3” por meio de um simples processo de análise de dados apoiado por centenas de gamers que sentiram o gosto do jogo em uma espécie de laboratório.

Clive Thompson, da revista Wired, acompanhou o processo liderado pelo engenheiro Randy Pagulayan em que cerca de 600 de gamers experimentaram determinadas fases do jogo em um fechadíssimo programa de teste.

Com mais de três mil horas de jogos registradas, a equipe da Bungie compilou informações dos lugares onde os jogadores mais se perdiam, cenas em que uma grande parte deles morria e até mesmo as armas preferidas para cada batalha.

Segundo Pagulayan, “Halo 3” foi sendo modificado à medida que os estudos indicavam que o gamer perdia imediatamente o interesse e o que deveria ser, originalmente, algo para diversão se tornava quase burocrático.

Com os dados em mão, conta Thompson, a Bungie fez alterações pontuais no game que, na prancheta de desenvolvimento, não apresentariam problema algum, como o quanto um canhão motorizado pode se inclinar ou a quantidade de jipes disponíveis em uma fase motorizada.
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Em ambos os casos, os detalhes cortavam o que o engenheiro define como os “trinta segundos de diversão” que servem como lema da série Halo: no primeiro, tiros com o canhão muito inclinado poderiam destruir o próprio veículo, enquanto, no segundo, os personagens aliados tomavam todos os jipes, deixando o gamer a pé.

As estatísticas também influenciaram a geografia das fases que, dada a dificuldade de um grande número de gamers, ganharam novas indicações para trajetos intrincados ou caminhos com menos inimigos que contrabalanceiam o número de obstáculos.

Pelo menos nos testes realizados no laboratório da Bungie, os resultados vêm se mostrando satisfatórios. Segundo a Wired, com 92% dos gamers classificando o título com, no mínimo, quatro estrelas em uma escala onde cinco estrelas indicam muita diversão.

Além da evidente falta de vergonha em alterar o trabalho de um batalhão de designers e programadores para tornar o jogo mais aceitável para os gamers, o resultado pode ter relação também com novas funções de “Halo 3”.

No jogo, que continua a contar a história do personagem Master Chief voltando à Terra para combater a aliança de aliens Covenant, volta a restringir a duas o número de armas carregadas, sendo que os punhos do soldado constituem a terceira arma.

Diz a Microsoft que “Halo 3” já se tornou o jogo não lançado de maior sucesso do mundo, com mais um milhão de cópias encomendadas em todo o mundo. Se as encomendas, assim como os testes de Pagulayan valeram a pena, saberemos na próxima semana.