Caso WikiLeaks demonstra poder da Amazon sobre seus clientes de cloud
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A Amazon é uma empresa de destaque nos Estados Unidos. Os servidores de sua nuvem hospedam o site estatal Recovery.org, sobre investimentos para estímulo da economia, e competem para abrigar ainda mais serviços públicos federais. Ela também gastou 1,5 milhão de dólares este ano com lobby em Washington, de acordo com o site OpenSecrets.org.
Assim, quando o senador americano Joseph Liebermann (sem partido), presidente do Comitê de Segurança Interna e Assuntos Governamentais, convocou os representantes da Amazon esta semana para se queixar da decisão da empresa de hospedar o WikiLeaks em seus servidores, a Amazon rapidamente puxou o plugue do site.
O WikiLeaks, que no começo da semana tornou pública uma enorme coleção de mensagens diplomáticas do Departamento de Estado, migrou para o serviço da Amazon na segunda-feira (29/11) depois de ter sido atingida por ataques agressivos de negação de serviço (DoS). Os ataques DoS tiraram o site do ar por várias horas na segunda-feira, e voltaram a castigá-lo na terça-feira.
Depois da decisão da Amazon, o site passou a ser hospedado por uma empresa sueca, a Bahnhof Internet AB, de Uppsala.
Poucos amigos
Não surpreende que o WikiLeaks tenha tão poucos amigos em
Washington. O site tem sido criticado pela Casa Branca, pelo Pentágono, pelo
Departamento de Estado e por membros do Congresso por divulgar documentos confidenciais
do governo. Mas a ação da Amazon de cortar de forma abrupta a hospedagem do
site levanta questões sobre o poder que os provedores de cloud tem sobre seus
clientes.
Robert Scott, sócio-gerente da Scott & Scott LLP, uma empresa de Dallas que assessora clientes em questões contratuais de TI, disse que o contrato de nuvem da Amazon dá à empresa o poder de encerrar o serviço de hospedagem por qualquer coisa que ela julgue ilegal, constitua uma violação dos regulamentos ou infrinja direitos de terceiros.
Foram esses termos que provavelmente colocaram o WikiLeaks no chão, disse Scott. Mas esses mesmos termos poderiam ser aplicados em situações menos nobres, como em uma disputa por licenciamento. É “muito poderoso” dar a um fornecedor “capacidade completa e isolada de decidir se seu conteúdo ou suas aplicações são boas ou não”, disse.
“Eu vejo essa situação como um sinal de alerta sobre alguns dos riscos que são inerentes quando se assina um contrato de cloud”, disse Scott.
Tais contratos “dão ao provedor desses serviços de nuvem muito mais força do que você normalmente daria a alguém que estivesse simplesmente fornecendo acesso aos servidores que você usa para guardar seus dados”, disse Jeffrey C. Johnson, sócio da Pryor Cashman LLP, de Nova York, que trabalha no grupo de propriedade intelectual da empresa de advocacia.
John Watkins, um dos sócios da Barnes & Thornburg LLP, disse que os provedores geralmente especificam uma política de uso aceitável, o que, em termos gerais, geralmente proíbe o uso de serviços para atividades ilegais, nocivas, de violação de conteúdo ou com conteúdo ofensivo.
Entre os riscos legais de encerramento de contrato associados com a cloud computing, Watkins disse, por e-mail, que “em muitos casos provavelmente eles listam como motivos alguma coisa como preocupação com segurança e privacidade, entre outros itens.”
Hora de mudar
Entre os que veem a necessidade de mudança nos termos
definidos pelos provedores de nuvem está Mark Gilmore, presidente da empresa de
consultoria e integração Wired Integrations, de San Jose. Ele revisa contratos
de nível de serviço da nuvem como parte de seu trabalho, e é crítico a eles. “Eles
são realmente feitos para o provedor de serviços e não para o usuário final.” E
se eles puxarem o plugue “você não terá como recorrer ou agir”, disse.
Gilmore acredita que a ação da Amazon contra o WikiLeaks enfatiza a questão, mas “não há gente suficiente prestando atenção a este tipo de circunstância para colocar qualquer peso ou pressão nos provedores de serviço, para que mudem seus modelos de negócio.”
Bill Roth, vice-presidente executivo da empresa de monitoração de TI LogLogic, disse que a ação da Amazon é uma “diminuição de suas marcas como uma classe de provedor aberto e neutro. Por outro lado, como cidadão americano, entendo perfeitamente o que fizeram.”
Mesmo assim, a decisão da Amazon manda uma mensagem, acrescentou Roth. “A Amazon está de olho e pronta para julgar” se o conteúdo que hospeda é apropriado ou não.


