Brasil tem grande potencial para o mercado de terceirização de TI
O anúncio da compra de 55% do capital da brasileira CPM Braxis pela francesa Capgemini, na última semana, pode ser encarado como um sinal de que o mercado mundial enxerga o País como uma grande promessa para a exportação dos serviços de TI. Pelo menos, essa foi a percepção do presidente da consultoria especializada em offshore Neo Advisory, Atul Vashistha, considerado uma das principais autoridades globais no assunto.
Para balizar sua visão, Vashistha lembra que grandes players norte-americanos, como HP, Accenture e Unisys, já têm presença forte no Brasil. Enquanto gigantes indianas de terceirização começaram a investir agressivamente na América Latina nos últimos tempos. Como exemplo, ele lembra que a Tata Consultancy Server (TCS) já mantém três centros globais de serviços na região, incluindo um centro de excelência Oracle e mais de 1,5 mil funcionários no Brasil.
As próprias empresas locais de serviços de TI vem se preparando para expandir sua atuação no mercado, entre elas, o consultor cita o caso da CI&T, Politec e Stefanini. “Todas elas procuram atender à demanda brasileira, mas também ganhar contratos dos Estados Unidos e de outros países”, elenca o consultor. E ele informa que essa sede em relação ao potencial do mercado brasileiro está relacionada com o próprio amadurecimento do setor no País, que hoje conta com 250 mil profissionais e perspectivas de manter um crescimento de dois dígitos nos próximos anos.
Vashistha ressalta, no entanto, que ainda é cedo para proclamar o Brasil como o principal destino de offshore para as corporações norte-americanas. As multinacionais e empresas locais de serviços estão trabalhando com uma boa variedade de ofertas, mas se mostram muito focadas nos clientes locais e regionais. “Há grandes oportunidades para o crescimento do mercado brasileiro nas áreas de terceirização de serviços e dos processos de negócios. Mas ainda há pouco suporte no País”, pontua.
Além disso, os fornecedores brasileiros não foram atrás do mercado norte-americano de maneira tão agressiva quanto as companhias indianas. E apesar do fuso horário favorável, crescimento de mão de obra e desenvolvimento econômico, o território brasileiro ainda tem alguns pontos negativos. Vashistha analisa que “o Brasil pode ser um lugar desafiador para os negócios por questões de segurança, inflação, moeda e limitações de idiomas”.
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