Artigo: Não conte com a Oracle para manter vivo o OpenOffice

PC World/US
24 de agosto - 16h58 - Atualizada em 24 de agosto - 17h21
Em sua guerra ao open source, empresa processa a Google com seu Android e coloca dúvidas sobre o OpenSolaris; o OpenOffice estaria em perigo?

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Em janeiro passado, a consultoria holandesa Software Improvement Group alertou entidades governamentais a não implantar o OpenOffice.org como suíte de escritório até que a Oracle mostrasse o comprometimento – e o investimento – que teria com o software tal qual a Sun Microsystems fizera.

Na época, como se sabe, a Oracle estava quase adquirindo a Sun, que por muito tempo fora o principal patrocinador da solução de produtividade da comunidade open-source.

Passados sete meses, parece que a advertência, vista como cautelosa no começo do ano, tinha suas razões. Não só a gigante está processando a Google pelo uso da linguagem Java em seu Android, como também colocou o OpenSolaris, versão de código aberto do sistema operacional Sun Solaris, na corda bamba.

Definitivamente, a Oracle está declarando guerra ao open-source. Em outras palavras, os clientes corporativos que usam tais programas têm diversos motivos para ficarem preocupados.

Desenvolvimentos paralelos
O OpenOffice não é o único software em perigo. Há também o MySQL, por exemplo, que deverá sofrer com o humor instável da Oracle.

A diferença para este último, no entanto, é que já existem programas similares em desenvolvimento pela comunidade open-source, além de serem completamente independentes em relação à Oracle. Dentre eles, o de maior destaque é Drizzle, mas o Percona e o MariaDB também merecem atenção.

Para o OpenSolaris, por sua vez, existe o projeto Illumus, recentemente anunciado pela Nexenta, que pretende se tornar uma alternativa autônoma ao sistema operacional.

40 milhões de downloads um futuro incerto
Para o OpenOffice, no entanto, não há tanta perspectiva, apesar de sua popularidade. Em 2005, o software ultrapassou a marca de 40 milhões de downloads e, hoje em dia, estima-se que a suíte de produtividade detenha 10% do mercado.

Por ser open source, não tendo de ser adquirido, é difícil provar o índice de uso do OpenOffice. Todavia, o programa está presente nas mais populares distribuições de Linux, inclusive o Ubuntu, e é claramente a alternativa mais famosa ao Office da Microsoft.

Mas o que isso significa para os clientes corporativos que usam o OpenOffice? Terão eles que procurar outra opção?

Se há vontade, há um rumo
Seria uma decisão prematura. Embora eu acredite que a Oracle irá priorizar a tecnologia do StarOffice, que pode lhe garantir maior renda, em detrimento desenvolvimento do OpenOffice, isso não quer dizer que o software desaparecerá.

Um dos melhores aspectos no mundo livre do open source é que onde existe uma comunidade de desenvolvedores e usuários dispostos a manter viva uma tecnologia, isso será feito – e você pode apostar que muitos estão trabalhando neste momento.

No caso do OpenOffice, o código continua aberto para quem desejar baixá-lo, dando nova vida ao programa. Algo em torno de 450 mil pessoas já contribuíram com a suíte, portanto, são muitos os usuários com capacidade e vontade para manter sua evolução e manutenção.

A Oracle pode ter decidido que o lucro é tudo, mas os milhões de usuários de softwares de código aberto não dependem de sua boa vontade. O OpenOffice é, simplesmente, muito grande e popular para morrer; é chegado a hora de declarar sua independência.

A pergunta que fica, claro, é se a Oracle aproveitará esse movimento para iniciar mais uma vingança contra a comunidade open source, usando suas patentes como armas.

(Katherine Noyes)