Manifesto defende uso de padrões abertos para a cloud computing

IDG News Service/EUA
30 de março - 10h02 - Atualizada em 15 de março - 14h32
Boston - "Open Cloud Manifesto” defende que “desafios da adoção da cloud computing sejam solucionados a partir de padrões abertos”.

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Vazou na internet o “Open Cloud Manifesto”, um documento que define padrões de interoperabilidade para a “cloud computing”, conceito que determina que uma parte importante dos dados e aplicativos de um usuário fica instalada e é acessada pela internet e não no desktop. Após o vazamento, dezenas de empresas de tecnologia decidiram assinar e publicar o manifesto oficialmente.

Com apenas seis páginas, o documento contém seis princípios básicos. O primeiro pede para que fornecedores de tecnologia “garantam que os desafios da adoção da cloud computing (segurança, integração, portabilidade, interoperabilidade, administração e monitoração) sejam solucionados através de padrões abertos”.

Outros princípios dizem que os desenvolvedores “não devem usar suas posições no mercado para amarrar clientes em suas plataformas exclusivas”, “criar novos padrões ou modificar padrões existentes”, “se concentrar nas necessidades dos clientes” e tentar trabalhar em harmonia.

Entre as empresas que apoiam o Open Cloud Manifesto estão a IBM, Sun, VMware, Cisco, EMC, SAP, AMD, Elastra, Akamai, Novell, Rackspace, RightScale, GoGrid, entre outras. Já a Amazon, conhecida pelo seu sistema, o Elastic Cloud Computing (EC2), e a Microsoft, que deve lançar o sistema Azure de cloud computing ainda neste ano, decidiram não participar da iniciativa.

Uma porta-voz da Amazon disse que a empresa só ficou sabendo do manifesto recentemente e está avaliando “as ideias, padrões e práticas” sugeridas. Já Steven Martin, um funcionário da Microsoft, criticou pesadamente o documento, afirmando que o manifesto “é falho e foi concebido secretamente

Analistas ouvidos pela reportagem do IDG News Service consideram o manifesto uma boa iniciativa, mas demonstraram ceticismo. “O documento vai na direção certa”, disse Stephen O’Grady. “Você poderia esperar alguns anos (para discutir o assunto), quando os clientes estariam presos a algum tipo de solução. Ou você pode tentar abordar esses problemas agora.”

Segundo O’Grady, problemas com a dependência de consumidores a um sistema específico e interoperabilidade são muito mais importantes na cloud computing. Na computação “tradicional”, os clientes escolhem hardware, sistemas operacionais, bancos de dados e ferramentas de desenvolvimento separadamente. Na nuvem, porém, esses programas costumam estar integrados, muitas vezes com aplicativos proprietários. “Quando você funde todas essas peças, você remove várias escolhas. Os clientes costumam ter problemas com isso”, disse O’Grady.

Para John Willis, um analista e blogueiro, o manifesto tem a função de, pelo menos, envolver os fornecedores de tecnologia com padrões abertos e interoperabilidade. “Se essas empresas vão assinar esse documento, então o mercado terá como fiscalizar se as iniciativas estão sendo cumpridas.”

Chris Kanaracus, editor do IDG News Service, em Boston