ODF Alliance acusa falta de discussão na suposta aprovação do OpenXML
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Ainda que o resultado da votação que definirá se o padrão OpenXML, criado pela Microsoft, ganhará a certificação ISO para documentos eletrônicos saia só no final de março, a decisão ainda está longe de causar polêmica.
Em resposta a Roberto Prado, gerente de estratégias da Microsoft Brasil, que se revelou admirado pela surpresa causada na comunidade sobre a votação em "fast track" das alterações do formato, o diretor-geral da ODF Alliance Brasil, Jomar Silva, rebateu as afirmações do executivo.
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"O 'fast track' não foi desenvolvido na ISO pra avaliar uma norma com 6 mil páginas e muitos protestaram sobre isto diversas vezes. Ele (Prado) disse que ninguém sabia quando começou que seria complicado, mas não é verdade", acusa Silva, integrante da comissão brasileira presente no Ballot Resolution Meeting (BRM), que aconteceu em Genebra no começo de março.
"Colocar uma norma com mais de 6 mil páginas em 'fast track' é alguma coisa de quem não quer ver debate técnico no assunto", acusa, usando como fundamento o dado oficial divulgado pela ISO de que apenas 18% das mais de 900 alterações propostas nas especificações do OpenXML foram debatidas, enquanto as 82% restantes foram aprovados compulsoriamente.
O processo de votação, que reuniu delegações de 32 países para debater as mais de 900 alterações no texto do OpenXML em cinco dias, foi fundamental na votação em bloco sugerida dentro do BRM que acarretou na aprovação da maioria das alterações propostas sem o debate devido, segundo Jomar.
A própria agenda que os países são obrigados a cumprir torna humanamente impossível a revisão do texto final compilado pela ECMA com as alterações do BRM, já que a redação final da especificação será publicada oficialmente no mesmo dia em que se encerra o prazo para que as delegações dos países confirmem se o OpenXML merece ou não aprovação da ISO.
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"O que a Microsoft fala é que o mercado tem que ter escolha. Então pára de fazer molecagem e de querer enganar o mercado, e faça o Office suportar nativamente o ODF para que o mercado faça sua escolha. Ou eles acham que o contador, a dona de casa ou o jornalista vão escolher padrão? Escolhe-se ferramentas, não padrões", ataca, em resposta à afirmação de Prado sobre o tradutor de OpenXML para ODF disponível online, mas não integrado ao pacote corporativo da Microsoft.
"Esta norma com 6 mil páginas escritas em 12 meses e avaliadas inicialmente em 6 meses, gerando 3.500 comentários técnicos, que foram resumidos em 1.027. O relatório com as alterações contém 2.500 páginas que, em teste, foram analisadas em 30 dias e debatidas em cinco, durante o BRM. E, publicamente, ainda se afirma que, nestes 5 dias, foram analisadas apenas 18% destas respostas", enumera Jomar, traçando a trajetória do OpenXML.
No final, diz o executivo, parece tudo uma piada. "Estamos falando de uma especificação que vai armazenar informações financeiras de empresas, histórias de uma nação e dados pessoais dos usuários. Dizer que algo tão relevante como isto foi debatido com olhos no relógio é um desrespeito a quem vai usá-la no final".
Por mais que as delegações que participaram do BRM estejam proibidos de revelar qualquer informação sobre o processo da ISO até o fim da votação, Jomar afirma que a ODF Alliance está discutindo mudanças no processo com ABNT e afirma que "o voto da ABNT (que reprovou o OpenXML como padrão de documento eletrônico) tenha que ser mantido.
"Não considero que todo o debate que tivemos de preparação para a BRM tenha sido respeitado e dado resultado produtivo na mudança do OpenXML. Os problemas que levaram à negação não fora resolvidos. Não vejo motivo para mudança de voto".


