Suporte dividido da ISO suscita dúvidas sobre aprovação do Open XML
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Um comitê de membros do ISO em Genebra pode ter aprovado mudanças ao padrão Open XML, da Microsoft, nesta sexta-feira (29/02), mas a aprovação final do formato permanece ainda longe de certo.
Críticos acusam que a discussão dos cerca de 1,1 mil alterações técnicas, iniciadas no meio de janeiro por um documento de 2,3 mil páginas ao órgão internacional de padrões Ecma International, foi tão superficial que não é possível apontar qualquer tipo de consenso.
"Oitenta por cento das mudanças não foram discutidas", afirmou Frank Farance, líder da delegação norte-americana dentro do Ballot Resolution Meeting (BRM) no ISO, que votou contra as mudanças. "É como se você tivesse um projeto enorme de software e 80% não passasse pelas dúvidas dos desenvolvedores".
"É um grande problema", continua. "Nunca vi algo assim".
Além das mudanças que deveriam ter sido discutidas e aprovadas pelos membros do comitê, outros 900 foram agrupados para um voto único sem qualquer discussão, pela falta de tempo.
Dos 32 países participantes, apenas seis, incluindo a República Tcheca e a Polônica, votaram pela aprovação das 900 mudanças. Dezoito países, ou mais da metade, se abstiveram, enquanto outros quatro países se recusaram em registrar para votar, de acordo com o blog de Andy Updegrove, advogado e ativista de padrões abertos.
Quatro países, incluindo Estados Unidos e Malásia, de acordo com Farance, negaram a aprovação das 900 mudanças. Isto indica, segundo críticos, a falta de suporte ao Open XML.
"As pessoas aqui estão incomodadas", afirmou Updegrove por telefone a partir de Genebra. "O absurdo da tentativa de fazer isto por um processo de ‘fast track' se tornou bastante aparente nesta semana".
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A Microsoft, no entanto, afirmou que o Open XML enfrentou detalhamento maior que outros formatos do ISO, incluindo o rival OpenDocument Format, que rapidamente passou por um processo "fast track" em 2006. Esperar que cada mudança necessária à aprovação individual no encontro desta semana seria apenas acrescentar mais burocracia ao processo, argumenta ele.
"Acho que o processo funcionou", afirmou Tom Robertson, diretor geral de interoperabilidade e padrões na Microsoft. "Houve muita discussão desde que o processo começou em 2 de setembro. Nem toda questão foi levantada para ser discutida face a face nesta semana".
"Os grupos nacionais simplesmente identificaram as questões que mais importam e focaram suas discussões nelas", continuou Robertson. "Acho que é justo dizer que foi uma revisão bem rigorosa das questões".
Robertson se negou a comentar os prospectos do Open XML na adoção final pelo ISO.
Para que isto aconteça, o Open XML precisa ganhar o suporte de 75% de todos os membros do USO que votam e dois terços dos grupos nacionais de padrões que trabalham nas propostas específicas. Durante a última votação da ISO em setembro, o Open XML falhou em ambas as contagens, tendo aprovação de 74% no primeiro critério e 53% no segundo.
A Microsoft espera ter um número suficiente de países nos próximos 30 dias com o resultado do BRM. Isto pode acontecer facilmente, já que a posição dos Estados Unidos influenciou muitos países desde que o processo de revisão começou, em 2007.
Farance confirmou que o fato de seis membros da delegação dos EUA, que tem funcionários da IBM e Microsoft não aprovarem o padrão no BRM "não corresponde necessariamente" a maneira como os EUA votarão no pleito final.


