Processadores 'dual core" consomem menos energia e são mais eficientes

Guilherme Felitti, repórter do IDG Now!
23 de março - 14h39 - Atualizada em 15 de março - 13h24
São Paulo - Os processadores de núcleo duplo começam a conquistar os consumidores. Entenda como funcionam os chips e vejas as principais vantagens.

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Reportagem feita a partir de dúvida de leitor; saiba mais

chip_80_nucleos_88x66No final de 2004, o então CEO da Intel, Craig Barrett, anunciou que a empresa cancelaria a fabricação do esperado processador Pentium 4 com 4 GHz, conhecido pelo codinome de “Prescott”.

A justificativa de Barrett era clara: a empresa experimentava dificuldades em desenvolver um produto mais rápido que seus antecessores que não aquecesse tanto pelo exagerado consumo de energia.

A solução proposta pela Intel passa pelo ditado popular de que “duas cabeças pensam melhor que uma” - ao invés de sofisticar um processador, por que não usar dois para múltiplas tarefas?

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Mas colocar dois processadores em uma mesma máquina não implica em problemas de espaço dentro do gabinete? E, se um processador já é caro, comprar logo dois não é restringir a novidade para os mais abastados?

Ainda que tenha ganhado um impulso da Microsoft graças à comercialização de computadores mais potentes para o exigente Windows Vista, a popularização do conceito de computação de múltiplos núcleos ainda é uma realidade distante para que não haja dúvidas como as anteriores.

Para esclarecer dúvidas comuns sobre chips de núcleo duplo, o IDG Now! preparou um guia com os principais pontos que suscitam dúvidas dos usuários.

Para entender melhor chips de núcleo duplo, vale um esclarecimento sobre a maneira como processadores são feitos.

O dispositivo que você compra, sozinho ou dentro do seu PC, traz o núcleo de processamento encapsulado em um estojo, que representa a cara do chip.

Integrar dois núcleos ao mesmo chip não implica em processadores com o dobro de tamanho - em uma cápsula com alterações pontuais, basta que os fabricantes incluam dois núcleos de processamento, cujo tamanho não ultrapassa o de um selo.
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Pontos fortes
A primeira mudança promovida por esta integração é nominal: a indicação de velocidade de um chip baseada em GHz não é mais válida, já que os dois núcleos costumam ter a mesma velocidade.

Aliar dois processadores é dobrar a velocidade do PC, então? Também não. O trabalho conjunto dos dois núcleos, em harmonia com o cachê compartilhado, torna o processador mais eficiente.

Enquanto um núcleo queima um CD, por exemplo, outro pode rodar um game, com comunicação total entre si.

A eficiência dos chips de núcleo duplo não está apenas no processamento. A interação entre ambos os núcleos, além de poupar processamento, economiza consumo de energia, o que, consequentemente, diminui a quantidade de calor produzida pelo PC.

Entre os motivos apresentados por Barrett para justificar a aposta em multi-computação era a produção exagerada de calor presente em processadores de núcleo único.

Tanto aquecimento implicava no uso de sistemas de refrigeração cada vez mais poderosos, que usavam até água e hidrogênio, para evitar que o calor danificasse os componentes internos do micro.

Ao dividir tarefas com os dois núcleos, o processador produz o calor padrão do seu clock (2,16 GHz, por exemplo) sem avançar na sua curva geométrica de aquecimento.

A própria mudança do encapsulamento de processadores para a integração de diversos núcleos representa outra vantagem da nova tecnologia.
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Ao mesmo tempo em que desenvolvia os primeiros chips com dois núcleos, tanto AMD e Intel já avançavam nas pesquisas para futuros dispositivos que contem com ainda mais núcleos, dando vazão à escalabilidade do modelo.

Primeiro reflexo deste avanço resvala nos lançamentos feitos pela Intel nas linhas Core 2 Quad e Xeon, com processadores que contam quatro núcleos para desktops e servidores, respectivamente.

A rival AMD planeja colocar no mercado no segundo semestre os primeiros modelos da sua linha corporativa Athlon 64 com quatro núcleos.

Ponto fracos
A tecnologia de múltiplos núcleos oferece soluções palpáveis para problemas que impediam o avanço dos microprocessadores a computação, o que garante sua provável presença em massas em desktops e servidores pelos próximos anos.

Mas e os pontos contrários? Talvez a maior desvantagem dos processadores de núcleo duplo ainda seja o alto preço pago pelos usuários para uma tecnologia ainda em desenvolvimento.

Como se tornará padrão tanto para Intel como para AMD, a tecnologia deverá forçar as fabricantes a queimar estoques dos chips de processamento único, em estratégia para preparar o mercado para a popularização das suas novas linhas Core 2 Duo e Athlon X2.

Aliado ao alto preço, o aproveitamento pleno do poder de processamentos dos dois núcleos implica em modificações no software que saibam utilizar a tecnologia corretamente.

Mesmo que apresente desempenho claramente superior, o poderio de chips de núcleo duplo poderia ser melhor aproveitado caso os aplicativos fossem escritos sabendo aproveitar a ligação entre os dois dispositivos.