Consumo de energia por servidores dobra em 5 anos e exige US$ 7,3 bi

Vinicius Cherobino, repórter do Computerworld
26 de fevereiro - 09h24 - Atualizada em 15 de março - 13h24
São Paulo - Estudo feito pelo professor Jonanthan Koomey aponta que o montante desse gasto energético vai subir mais 76% até 2010.

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Em cinco anos, de 2000 a 2005, dobrou a quantidade de energia elétrica consumida por servidores e pelos sistemas de refrigeração a eles relacionados, com crescimento médio de 14% ao ano. Se nada for feito para reduzir esse montante, ele vai crescer mais 76% até 2010. As conclusões são de Jonanthan Koomey, professor na Universidade de Stanford e um dos cientistas do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, responsável pelo estudo “Consumo Total de Energia Elétrica relacionado a Servidores nos EUA e no Mundo”.

Ao traduzir esses valores para dólares, a conta de energia elétrica relacionada com servidores ficou em 7,3 bilhões de dólares em 2005 no mundo inteiro, dos quais 2,7 bilhões de dólares foram consumidos apenas nos Estados Unidos.

Se passarmos esse montante para mega­watt, os servidores e a estrutura de resfriamento com ar condicionado consumiram toda a energia produzida por 14 hidroelétricas com capacidade de mil megawatts. Na prática, os servidores e aparelhos relacionados com cooling representaram 1,2% do consumo de eletricidade nos EUA em 2005, valor comparável com o que foi consumido pelas televisões. No país, foram consumidos 45 bilhões de quilowatt por hora em 2005 para alimentar os servidores e a infra-estrutura relacionada.

E esse é apenas o problema imediato. O meio ambiente vai ser ainda mais atingido pelos servidores de TI e a infra-estrutura relacionada ao se analisar as duas constatações seguintes: empresas do mundo inteiro, inclusive gigantescos datacenter, estão se movendo para a China e Índia em busca de preços menores. Tanto a China quanto a Índia tem grande parte da produção de energia elétrica vinculada à queima de carvão, altamente poluente.

O problema já começou a causar repercussões no mundo de TI. Os dois maiores fabricantes de processadores no mundo, AMD e Intel, já começaram a produzir chips com maior eficiência energética. Existe o consenso entre especialistas de que a empresa que garantir o maior desempenho por watt (performance-per-watt) vai conseguir um grande diferencial competitivo, o que coloca a corrida por mais velocidade em segundo plano, colocando como paradigma consumo e performance. O tema já está na agenda da tradicional competição entre AMD e Intel.

Isso não significa, contudo, que a preocupação das empresas com o tema está aumentando. Da mesma forma, a maior dependência de tecnologia das grandes e médias empresas, somada à adoção de novos servidores por pequenas empresas, faz com que a tendência seja o cenário só ficar pior.