Windows Vista: é hora de migrar?
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Migrar para uma nova versão de sistema operacional é uma decisão que exige da empresa planejamento, preparação e investimentos. Determinar o momento certo para adotar o Windows Vista não é uma tarefa simples, pois exige cálculos de custos, benefícios e riscos, portanto até mesmo experientes analistas de mercado encontram dificuldades para chegar a um consenso sobre a hora certa da virada.
Se há um norte comum às principais empresas de análise de mercado em relação ao novo sistema operacional da Microsoft, ele está na constatação que a maior parte das empresas deve iniciar a implementação do sistema após o primeiro ano de lançamento. “A adoção mais forte deve começar na segunda metade de 2008, puxada pela substituição de computadores nas companhias”, opina Steve Kleynhans, vice-presidente do Gartner.
Já Simon Yates, vice-presidente do Forrester Reserach, sustenta que apenas 40% das empresas norte-americanas pretendem começar a migrar para o Vista ainda em 2007. Na Europa - que, na opinião do analista tem um comportamento mais próximo ao esperado para a América Latina - metade das empresas sequer tem planos de adotar o Vista no momento.
Outra pesquisa, realizada pela IT Business Edge em janeiro deste ano, que revelava que apenas 25% das pequenas e médias empresas (com menos de mil funcionários) e 19% das grandes empresas nos EUA pretendiam adotar o Vista durante o primeiro ano de lançamento, sendo que 31% das empresas, independente do porte, responderam que só pretendem implementar o sistema dois anos após o lançamento e apenas 8% pretendem adotá-lo.
Para os analistas, a adoção do sistema em cada empresa dependerá de fatores como os contratos de licenciamento que cada uma possui, a compatibilidade das aplicações corporativas e do hardware disponível com o Vista, do preparo dos profissionais de TI da empresa para gerenciar a implementação e a administração do novo sistema, entre outros fatores.
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Segundo a pesquisa da IT Business Edge, 60% das empresas apontaram a compatibilidade de sistemas e dispositivos com o Vista como possível fator de atraso e 69% afirmaram que pretendem seguir o cronograma de atualização da sua base de PCs para adotar o Vista.
“Antes de começar a implementação, as empresas terão que fazer muitos testes de compatibilidade e performance. Vai levar algum tempo até que cada fornecedor de hardware e software atualize completamente seus produtos para o Vista”, opina Yates. Já Kleynhans acredita que grande parte das aplicações que rodam no Windows XP com Service Pack 2 devem funcionar no Vista. “Os programadores terão que fazer apenas pequenos acertos”, acredita.
O analista do Gartner defende, no entanto, que os profissionais de TI da empresa precisarão de uma qualificação mínima para implementar o sistema para os usuários. “Será necessário algum upgrade de habilidades”. Por isso, em sua opinião, os departamentos de tecnologia das empresas serão os primeiros a adotar o Vista.
Outro fator crucial, especialmente na América Latina, na opinião dos analistas, será o preço das licenças e tipo de contrato de suporte que cada empresa possui. “Se eles possuem um acordo de licenciamento de Software Assurance poderão migrar qualquer usuário de imediato, mas do contrário terão que comprar uma nova licença do Windows Vista”, aponta Simon.
De acordo Jay Gumbiner, diretor de consumo e equipamentos comerciais da IDC para a América Latina, a região á altamente sensível a preços. “As empresas vão se perguntar: ‘eu preciso desse sistema ou estou contente com o que tenho e ele atende minhas necessidades?’”, afirma o analista. De acordo ele, muitas empresas hoje operam no modo “bom o suficiente” e para acelerar a transição, a Microsoft terá que oferecer programas de descontos.
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Gumbiner chama atenção ainda para outro fator: os altos índices de pirataria registrados na América Latina. “As companhia menores tendem a comprar computadores de integradores pequenos que podem vender as máquinas com o sistema operacional pirata. Muitos deles trocarão de imediato o XP pirata pelo Vista pirata, o que vai acelerar a adoção do novo sistema na região, mas não beneficiará diretamente a Microsoft”, prevê. No Brasil, de acordo com a IDC, o mercado cinza ainda responde por pelo menos metade das vendas de computadores.
Apesar destes fatores impeditivos, os analistas concordam que o Vista trará também atrativos para as empresas, incluindo melhor interface gráfica, novas ferramentas de colaboração e, especialmente, recursos de segurança. A pesquisa da IT Business Edge mostra que 71% dos entrevistados estavam interessados nos recursos de monitoramento e criptografia do sistema.
Mas mesmo quem não pretende adotar o Vista de imediato deve começar a pensar no assunto. Segundo Kleynhans, o período de implementação médio do Vista dentro de uma companhia deverá ser de 12 a 18 meses. “Há muito trabalho a fazer: inventário de ambiente, inventário de aplicações, mapeamento das atividades dos usuários, tudo isso tem que ser revisto antes de iniciar a implementação de fato”, observa.
Na opinião do analista, o Vista só deve se tornar predominante após três ou quatros anos do seu lançamento, por volta de 2010. Para constatar que a previsão é realista, basta lembrar que ainda hoje o Windows XP (lançado em outubro de 2001, portanto há cinco anos) está presente em pouco mais de 70% dos computadores nos Estados Unidos, segundo dados do Forrester.


