Linus Torvalds mantém insatisfação com terceira versão do GPL

China Martens, para o IDG Now!*
28 de julho - 11h59 - Atualizada em 15 de março - 14h01
Boston - Criador do sistema Linux confirma decepção com 2º revisão da licença GNU, que ainda permite uso de software livre em ferramentas DRM.

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Linus Torvalds, o criador do sistema operacional Linux, permanece incomodado com a atualização proposta à licença que controla o software de código aberto e confirma que não tem planos de adotar o GPLv3 para o kernel do Linux.

A Fundação do Software Livre (do inglês, FSF) divulgou o segundo esboço da terceira versão da licença pública GNU nesta quinta-feira (28/07).

Após um período de debates e sugestões de usuários sobre o esboço inicial, lançado em janeiro, o documento foi reescrito para esclarecer a relação entre software livre e tecnologias de gerenciamento de cópias digitais (do inglês, DRM).

Seguindo a divulgação em janeiro da primeira versão do GPLv3, Torvalds declarou publicamente que não esperava que o kernel do Linux mudasse para o GPLv3 graças a limitações propostas na questão do DRM. A posição de Torvalds não mudou após a revisão do segundo esboço.

"Eu realmente não vejo qualquer mudança fundamental ali, e tudo parece maquiado para que tenha o mesmo sentido no final das contas", escreveu Torvalds nesta sexta-feira (28/07) em uma entrevista por e-mail. "A FSF está tentando fazer algumas coisas não mais permitidas sob o GPLv3 que o GPLv2 deixou abertas, e eu penso que essas coisas eram melhores quando eram liberadas".

O segundo esboço do GPLv3 não proíbe a implementação de funções de DRM, mas, ao invés, proíbe que empresas terceiras empreguem técnicas que limitem a capacidade do usuário usar ou modificar softwares cobertos pela GPL.

Torvalds continua a questionar a necessidade do GPLv3, que será a primeira grande revisão da licença em 15 anos.

"Acho que a principal questão a ser resolvida é quem quer usar o GPLv3, e acho que cada projeto poderá fazer sua escolha", escreveu ele.

Em sua atual forma, Torvalds não vê incentivos para mover do GPLv2 e adotar o GPLv3. "Não percebo qualquer vantagem sobre as novas limitações, e estou pessoalmente muito mais feliz com a antiga segunda versão", escreveu.

"Sempre deixarei a porta aberta para entradas e melhorias futuras, mas da maneira como as coisas parecem atualmente, a nova licença v3 não tem impacto no kernel, mesmo que afete provavelmente um grande número de outros projetos".

Da maneira como a FSF organizou o processo para solicitar comentários nos esboços das licenças de usuários interessados e então incorporar as sugestões, Torvalds se descreveu como "extremamente desapontado em toda a organização".

Torvalds ainda afirmou que "emoções tendem a nublar todas as discussões de licenças que tipicamente focam seu valor na necessidade real de escrever códigos.

"Com isto, eu estava pessimista com a necessidade de uma nova licença antes de tudo, esperando que fosse apenas mais uma grande oportunidade para brigas inflamadas em listas de discussões", diz Torvalds. "O fato é que eu pessoalmente acho que as direções tomadas pela FSF com o GPLv3 não ajudarão ninguém".

*China Martens é repórter do IDG News Service, em Boston