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19 de setembro de 2009
Colunistas

Sem Fios

André Caramuru é consultor e um dos pioneiros em tecnologias móveis no Brasil

Publicada em 12 de setembro de 2007 às 18h29
Atualizada em 13 de setembro de 2007 às 12h47

Nokia no ataque

André Caramuru Aubert avalia a concorrência no segmento de celulares e smartphones.

Se alguém imaginou que a Nokia, líder global absoluta nos mercados de celular e smartphones, passaria a jogar na defesa diante dos inúmeros adversários de peso correndo em seu encalço, enganou-se. Em que pé está a concorrência hoje?

No segmento corporativo, a maior ameaça, claro, é a RIM com seus Blackberries, que não vem deixando a Nokia avançar como gostaria. Mas há também uma Microsoft cada vez mais afiada, sendo que a versão 6.0 do PocketPC é bastante boa, e ela tem parceiros de peso, como HP e HTC. A Palm vem perdendo terreno, mas os últimos Treo não são de se jogar fora. E finalmente, os smartphones “movidos” a Linux são presença cada vez mais comum, e tudo indica que esta é uma tendência ascendente.

Já no universo de varejo, a situação é bem diferente, com uma vantagem muito mais confortável para a Nokia. Só que “confortável” não quer dizer “livre de ameaças”. Afinal, é bom lembrar que Samsung, LG e Sony-Ericsson não estão mortas (embora Motorola, Sanyo, Sharp e Kyocera, entre outras, não estejam vivendo momentos particularmente felizes no segmento). Além disso, a novata na briga, a Apple, com seu iPhone, se não afetou pesadamente as vendas da líder, pelo menos arranhou a imagem de “a marca mais sofisticada” da Nokia. E a Microsoft, principalmente, mas também a Palm, acabam representando ameaça também no segmento dos usuários de maior renda.

Ou seja, não dá a impressão que a Nokia deveria estar tremendo, na defensiva, diante de tantas ameaças? Pois não está. Em primeiro lugar, os números da empresa estão mais sólidos do que nunca: segundo uma pesquisa recente da Dow Jones, as vendas globais de smartphones baseados em sistema operacional Symbian tiveram um aumento de 52% no segundo trimestre deste ano, totalizando 19,7 milhões de unidades. Não é preciso lembrar que a Symbian é controlada pela Nokia e que este Sistema Operacional está presente em todos os smartphones da empresa (embora também seja utilizado, em menor volume, por concorrentes como Sony-Ericsson e Motorola).

Apenas no segmento de celulares multimídia, os da série N, que representam a recuperação e a reformulação do conceito do fracassado, mas interessante, modelo N-Gage, a Nokia teve um aumento de vendas de 42%. Como um todo, a empresa teve um crescimento de 28% no período (o que mostra que o segmento de smartphones/multimídia está avançando, dentro da Nokia, bem mais do que o dos celulares mais baratos).

Longe de cantar os louros da vitória, a Nokia, copiando a estratégia da Apple, está lançando na Europa um site para venda de músicas, com o claro e direto objetivo de concorrer com o iTunes. É a velha história do iPod e agora do iPhone. De um lado você vende o hardware, de outro vende o conteúdo para rodar nele. Além disso, a Nokia está lançando o Ovi (“porta”, em finlandês), seu novo portal de serviços, que deverá, além da área de compra de música e outros conteúdos, oferecer ambientes de relacionamento, armazenamento e troca de fotos e vídeos, jogos, serviços de guias, mapas, etc.

No segmento corporativo, a Nokia tem lançado aparelhos competitivos e apostado nas parcerias com operadoras, o que está gerando resultados positivos, mas a verdade é que ainda há um longo caminho a trilhar. Afinal de contas, nem a Nokia e nem as operadoras de celular têm grande fluência nessa área, onde empresas como Microsoft e RIM nadam de braçada. Mas, repito, a Nokia segue avançando.

Mesmo diante de uma concorrência numerosa, agressiva e usando estratégias variadas, a Nokia não está acuada e, pelo contrário, continua a manter taxas de crescimento impressionantes e a ocupar todos os novos espaços abertos pelas novidades móveis, seja de hardware, seja de software, seja de serviços. Para os concorrentes, o lado bom é que ninguém poderá reclamar de tédio ou de não ter o que fazer.

André Caramuru Aubert, um dos pioneiros em tecnologias móveis no Brasil, é consultor. E-mail: andre@magically.com.br

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