
Sem Fios
André Caramuru é consultor e um dos pioneiros em tecnologias móveis no Brasil
Publicada em 16 de abril de 2007 às 07h00
Atualizada em 16 de abril de 2007 às 11h43
Dilemas para a Palm
Que fim levará o ícone dos palmtops? Saiba mais nesta avaliação de André Caramuru.
Que fim levará a Palm? No universo digital, esta é uma discussão freqüente, muitas vezes obscurecida pela paixão de torcedores de futebol que a marca ainda desperta em muita gente. Fanatismos à parte, a verdade é que as perspectivas não são nada animadoras.
Por um lado, o negócio em que a Palm se destacou e foi a grande inovadora, o dos palmtops, está em franca decadência. O curioso é que a Palm parece ter sido pioneira também na antecipação deste fenômeno, e o lançamento do Treo 600, em 2003, deixou até os críticos de queixo caído. Infelizmente, aquela foi a última vez que isto aconteceu.
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Os otimistas adoram traçar paralelos entre Palm e Apple. As duas empresas, dizem, são laboratórios de novas idéias, as únicas empresas do Vale do Silício que têm a capacidade, sempre, de surpreender. A comparação é forçada.
A Apple tem um portfolio de possibilidades muito mais amplo, e a inovação não vem sempre na mesma linha de produtos. O iMac salvou o Macintosh e o iBook ressuscitou os notebooks da marca, mas a Apple não se acomodou e foi criar a dupla iPod/iTunes, um negócio totalmente novo, para finalmente surpreender todo mundo, mais uma vez, com o iPhone. Já a Palm...
Mas, se fosse verdade, se as duas empresas fossem realmente parecidas, nem assim a notícia seria boa para a Palm. Quem incensa a Apple hoje costuma esquecer que, no fim da década de 1990, a empresa cometia tantos erros que por pouco não desapareceu. E que para sobreviver ela chamou de volta Steve Jobs e se reinventou. Nada disso está acontecendo na Palm.
Quando usufruiu da breve liderança gerada com o lançamento Treo 600, a Palm não pareceu perceber que o negócio de celulares era muito maior, mais competitivo e difícil do que o de palmtops, e que as grandes empresas do segmento não assistiriam passivas àquele sucesso inicial.
Nokia, Motorola, Samsung, todos prepararam suas surpresinhas, enquanto a novata RIM, além da insistente Microsoft, atacavam pelo flanco corporativo. Quando a Palm se deu conta, os yuppies do mundo todo já tinham trocado seus Treos por Blackberries.
A Nokia fez um excelente trabalho com o sistema operacional Symbian e tem lançado, com velocidade assustadora, excelentes produtos de baixo custo. O Windows Mobile tem melhorado a cada nova geração. E agora, para completar, chega a Apple com seu iPhone. Enfim, é muita gente, e gente grande, atacando rápido e por todos os lados. E enquanto isso, o PalmOS começa a mostrar sinais de idade e nada, além de upgrades básicos na família Treo, aparece no horizonte da empresa.
Especula-se que a Palm esteja entre ser vendida ou receber o aporte de capital de investidores privados. É melhor ser vendida (fala-se muito em Motorola). Parte de uma empresa maior, ela pode se tornar a “divisão” de smartphones e ter algum futuro. Ela já pertenceu à U.S. Robotics (depois comprada pela 3Com) e se deu bem.
Por outro lado, se os potenciais investidores estão vendo o quadro com clareza, eles sabem das dificuldades e estarão provavelmente apostando que a Palm possa se tornar uma marca de nicho (de novo, como a Apple e seus Macs). Mas será que existe, entre os usuários Palm, uma massa crítica de fanáticos como os que a Apple conseguiu juntar, em número suficiente para manter acesa a “chama” da empresa até que dias melhores cheguem? Eu acho que não.
André Caramuru Aubert, um dos pioneiros em tecnologias móveis no Brasil, é consultor. E-mail: andre@magically.com.br
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