
Sem Fios
André Caramuru é consultor e um dos pioneiros em tecnologias móveis no Brasil
Publicada em 18 de maio de 2006 às 18h23
Celulares nas prisões
Em sua coluna de estréia, André Caramuru aborda o bloqueio de celulares.
Há poucos dias os jornais trouxeram, mais uma vez, a discussão sobre o uso de celulares em presídios. Como sempre, havia policiais reclamando, especialistas opinando e o relato de uma série de casos em que os presos, especialmente aqueles ligados ao crime organizado, usavam celulares, a partir de lá de dentro dos presídios, para organizar atentados, seqüestros, fugas etc.
A solução unanimemente apontada? Bloquear as comunicações de aparelhos celulares de dentro das prisões. Digo “comunicações”, e não “ligações” porque os jornais incluíam mensagens tipo SMS, mais difíceis de serem controladas. Entre os especialistas, havia quem considerasse as alternativas de bloqueio muito caras ou mesmo impossíveis.
O problema apresenta vários aspectos, e poucos deles passam pela tecnologia propriamente dita. Na verdade, é claro que uma determinada região pode ter bloqueadas as suas comunicações via celular. A primeira e mais óbvia solução é simplesmente não instalar antenas retransmissoras nas proximidades dos presídios.
O problema? A população que vive nos arredores também ficaria sem acesso à rede. Além disso, na eventualidade de os presos terem acesso a celulares via satélite, eles ficariam livres de precisar das antenas por perto.
Uma outra solução seria isolar, com chumbo, as paredes e muros dos presídios, de forma a que o sinal não pudesse atravessá-los. Esta possibilidade, além de muito cara, também não eliminaria o acesso a partir de algum ponto livre das barreiras e, de novo no caso de uso de celular via satélite, o acesso a partir de um pátio, por exemplo, seria tranqüila.
Finalmente, há os bloqueadores, ou embaralhadores, de chamadas. São aparelhos que, instalados dentro do presídio, interferem na transmissão de dados, impedindo as comunicações.
Alguns presídios já têm equipamentos desse tipo, mas eles estão quebrados e/ou obsoletos. Não se trata, como dizem os americanos, de “rocket science”. Há vários produtos disponíveis no mercado.
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