Demora na votação do PL 29 gera preocupação entre empresários
Por Edileuza Soares, para o IDG Now!
Publicada em 01 de dezembro de 2009 às 21h32
Atualizada em 02 de dezembro de 2009 às 06h47
Projeto de lei que regulamenta mercado de TV por assinatura será apreciado nesta quarta-feira (2/12), mas setor não acredita na sua aprovação.
A demora na votação do PL 29, projeto de lei que regulamenta o mercado de TV por assinatura e autoriza as teles a prestarem esse serviço, está impedindo o crescimento desse segmento e gera preocupação, dizem representantes do setor.
Durante seminário realizado em São Paulo pela Associação Brasileira de Direito de Informática e Telecomunicações (ABDI), representantes do Ministério das Comunicações (Minicom), do Grupo Abril e da TV Bandeirantes demonstraram preocupação com a demora na votação do PL 29 pela Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT) da Câmara dos Deputados. Eles não acreditam que a matéria seja aprovada nesta quarta-feira (2/12).
O consultor jurídico do Minicom, Marcelo Bechara Hobaika, afirma que o PL 29 precisa sair da CCT para avançar no Congresso. Seu maior receio é de que se repita o que aconteceu com o projeto contra crimes na internet, que depois de muita polêmica perdeu força política e que até hoje não foi regulamentado.
Bechara acha que, se o PL 29 não sair, o mercado acabará buscando outras alternativas, o que segundo ele não é bom. Apesar das questões pendentes, o técnico do Minicom diz que o PL 29 gera competição no mercado de TV por assinatura e aumenta a sua taxa de penetração. Para ele, uma maior concorrência nesse mercado acaba ajudando o governo no plano de expansão da banda larga no Brasil, já que as empresas vão entregar ao consumidor não apenas conteúdo audiovisual.
Questões polêmicas
O executivo do Grupo Abril, Arnaldo Tibiriçá, concorda que o PL 29 é vantajoso para o mercado, apesar de achar que o estabelecimento de cotas para conteúdo nacional prejudica o mercado. “A entrada das teles destrava o setor”, diz o executivo, incomodado com o poder da TV Globo nesse segmento.
O representante do grupo Bandeirantes, Walter Cenevivas, acredita que o PL 29 traga oportunidades para a ampliação do mercado de TV por assinatura. Assim como Tibiriçá, ele é contra a exigência do cumprimento de cotas de conteúdo. O executivo argumenta que essa questão deva ficar para o mercado resolver, e também se posiciona contra a proposta de o setor ser regulado pela Agência Nacional de Cinema (Ancine). “Não precisamos de uma agência dizendo que conteúdo devemos ter”, afirma Cenevivas. Opinião semelhante tem a advogada Marcela Ejnisman, do escritório Tozzini Freire Advogados. Ela lembra que o consumidor vive a era da liberdade e quer escolher o que quer ver, sem intervenção.
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