Marketing móvel quer reduzir atritos com o consumidor
Por Lygia de Luca, do IDG Now!
Publicada em 26 de novembro de 2009 às 07h10
Mobile Marketing Association aposta na atualização de manual de melhores práticas para diminuir problemas entre anunciantes e usuários de celular.
O marketing no celular é como um tsunami: chegou com força e não tem mais volta. Com o avanço do uso da telefonia móvel como plataforma de entretenimento e comunicação, operadoras, agências e provedores de serviços de tecnologia buscam potencializar suas campanhas móveis. Mas os desafios para que essa atividade se desenvolva ainda são grandes. Um dos primeiros deles é fazer com que esse mercado, ainda embrionário, adote parâmetros comuns de atuação, como formatos publicitários, regras de privacidade e relações comerciais entre os atores do setor.
"Uma das dificuldades para as marcas de atuação global é atuar em países com diferentes níveis de tecnologia e negócios", explica o principal executivo da MMA, Mike Wehrs.
Segundo o presidente mundial da MMA, Federico Pisani, o difícil mesmo é fazer todos falarem a "mesma língua" . "Por isso, o documento é dinâmico. Devemos acompanhar a evolução do mercado e da tecnologia", afirma.
Atualização mais rápida
Hoje, o manual de melhores práticas é atualizado regionalmente a cada seis meses. "Queremos reduzir este tempo para três meses, assim não perdemos oportunidades que estão diretamente ligadas a inovações tecnológicas", explica Wehrs.
No Brasil, a área de atuação é enorme e muitos competidores querem espaço no setor de propaganda móvel. Mas é essencial que todos atuem dentro de limites saudáveis do mercado, diz Pisani.
Somente desta maneira, afirma o dirigente da entidade, será possível garantir a satisfação do consumidor e o crescimento sustentável do setor.
Um dos grandes erros quando o assunto é marketing pelo celular é a falta de explicações sobre uma campanha. "É preciso deixar claro o que o consumidor compra. Alguns pacotes têm preços que variam por semana, com sistemas de pontos para trocas por músicas e vídeos. E a taxa de conversão é baixa, ou seja, o consumidor não entendeu. Ele achou que ia comprar músicas, teve um tempo de serviço gratuito, mas depois paga um valor semanal", exemplifica Pisani. "Essa falta de informação provoca um mal-estar".
No Brasil, a adesão às normas de conduta ainda não é tão grande quanto nos Estados Unidos, onde "todas as operadoras anexam o documento de melhores práticas no contrato com um provedor de serviço", conta Pisani. "Aqui, este passo está sendo estudado".
Privacidade
Quando o alvo é o usuário e sua reação ao receber ofertas e anúncios pelo celular, a preocupação é manter a privacidade e proteger o consumidor. "Ele deve permitir o envio de materiais de uma campanha", pondera Pisani.
"Tudo deve ser baseado no opt-in. A pessoa escolhe o que receberá", enfatiza Wehrs.
O presidente mundial da entidade conta que o controle do opt-in ainda não é feito corretamente. "Se é a operadora que faz a intermediação, a marca pode perder um consumidor que não deseja mais receber uma promoção", diz Pisani.
Outra questão envolvendo a privacidade é o armazenamento de dados dos usuário. "As informações pessoais não devem ser utilizadas de forma alguma, a menos que haja autorização explícita", diz Wehrs. "E, mesmo depois de autorizar, o consumidor tem o direito de pedir que a marca apague os seus dados".
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