Banda larga 3G cresce, mas instabilidade eleva reclamações no Brasil
Por Daniela Braun editora executiva do IDG Now!
Publicada em 07 de maio de 2009 às 07h00
Atualizada em 11 de maio de 2009 às 17h52
São Paulo – Brasil terá 3 milhões de usuários 3G até junho, diz a IDC. Instabilidade, no entanto, eleva reclamações em 85%, aponta Reclame Aqui.
Em pouco mais de um ano de oferta de banda larga 3G a usuários de notebooks, netbooks e desktops pelas principais operadoras de telefonia móvel do Brasil, o número de consumidores em busca de uma oferta complementar de acesso e mobilidade ou da única opção de banda larga em suas regiões se multiplicou. O volume de reclamações, contudo, seguiu o mesmo ritmo provocado pela instabilidade inerente ao acesso móvel e pela falta de informação sobre o serviço.
De janeiro a abril deste ano, o site Reclame Aqui, que abre espaço para a defesa de consumidores na internet, registrou 13.732 reclamações envolvendo serviços de banda larga 3G, um salto de 85% sobre o volume de 7.132 reclamações registradas no segundo semestre de 2008.
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Segundo a IDC Brasil, o volume conexões de banda larga com modems 3G atingiu 2 milhões em 2008. De acordo com João Paulo Bruder, analista de telecomunicações da consultoria, o crescimento de 51,3% verificado entre junho e dezembro do ano passado deve se repetir no primeiro semestre deste ano, elevando o número de conexões 3G a mais de 3 milhões.
“De acordo com as operadoras, a cobertura do serviço já chega a 60% do território brasileiro”, afirma o analista. No entanto, segundo ele, a qualidade do serviço ainda é muito instável. “A velocidade sobe, desce e dependendo do lugar não funciona (...) as torres que transmitem o sinal também têm uma capacidade limitada de acordo com o número de usuários atendidos”, observa.
A variação foi comprovada em um teste realizado recentemente pela PC World em três regiões distintas da cidade de São Paulo. A análise feita com modems 3G das operadoras Claro, Oi, TIM e Vivo, conectados a um notebook, mostra que a velocidade de acesso em todos os serviços varia de acordo com o tipo de tarefa e com a localização geográfica do usuário.
De acordo com Maurício Vargas, diretor do Reclame Aqui, ainda há problemas técnicos e de esclarecimento sobre o serviço no Brasil. Segundo ele, 75% das reclamações sobre banda larga 3G, este ano, envolveram variação de velocidade ou até ausência de sinal e 22% compreendem problemas de atendimento das operadoras. “A pessoa que está contratando o serviço geralmente não entende muito do assunto. E, em muitos casos, o próprio SAC não consegue explicar como funciona o serviço ou como fazer a instalação. Além disso há a questão técnica das antenas e da variação de velocidade”, comenta Vargas.
Insatisfeito com a velocidade de acesso, o leitor Sandro Roberto, de Juiz de Fora, no Rio de Janeiro, afirma que cancelou recentemente seu pacote de banda larga 3G. “Eu utilizava a conexão da Oi mas cancelei por insatisfação com a velocidade, já que a mesma só atingia velocidade de GPRS [rede 2,5 G] apesar de mostrar status de EDGE [3G]”, conta ao IDG Now!.
Segundo as operadoras, a tecnologia HSDPA (High Speed Downlink Packet Access), que permite a transmissão de dados móveis em alta velocidade nas redes 3G, é sensível a diversos fatores. “O serviço está sujeito a condições topográficas, distância do usuário em relação à antena, número de pessoas que compartilham o serviço na mesma região e até condições climáticas”, explica Fiamma Zarife, diretora de serviços de valor agregado e roaming da Claro.
O leitor Leonardo Barros, de São Paulo (SP), relata na comunidade do IDG Now! no Orkut, que sua internet 3G da Claro apresenta problemas como lentidão na abertura de páginas e instabilidade na conexão – casos de quatro tentativas de conexão por queda do sinal.“Não é o modem, pois tenho dois (Huawei e226 e Sony Ericson) e não é o sistema operacional, pois uso dois (Ubuntu 9.04 e Windows XP)” comenta o usuário.
Barros também observa que o suporte é um problema: “Os atendentes não explicam [sobre o serviço 3G] corretamente. As informações não são as mesmas” e afirma considerar alto o valor de 69 reais mensais pelo acesso a uma velocidade de até 500 Kilobits por segundo (Kbps). “Enfim, tenho doze meses para ficar com essa internet”, conclui.
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