Traffic shaping: entenda a polêmica sobre restrição de banda larga
Por Guilherme Felitti, editor assistente do IDG Now!
Publicada em 17 de abril de 2008 às 07h00
Atualizada em 28 de abril de 2008 às 20h59
Os debates sobre a questão atendem pelo nome de "neutralidade online" nos Estados Unidos e atingem até o Senado norte-americano, sob o lobby de operadoras defendendo que ou empresas responsáveis por serviços com alto consumo de banda paguem uma taxa extra para a construção de infra-estrutura mais potente ou clientes escolham pacotes de acesso com preços diferentes conforme o perfil de uso dos sites - quem acessa apenas blogs e e-mails teria de pagar menos que usuários acostumados a assistir vídeos no YouTube ou a baixar arquivos multimídia.
Tutoriais disponíveis na internet tentam mapear técnicas que driblam as restrições comprovadamente, como o uso de softwares de compartilhamento com encriptação de dados ou de uma rede privada pessoal (da sigla em inglês, VPN) e a mudança das portas comumente usadas pelos softwares de torrent, P2P ou VoIP - tanto o Abusar como blogs (o ComoFaço é um deles) contam com exemplos que podem servir de base para usuários.
No fim, muita da polêmica se resume ao contrato e é este o ponto que Neves levanta ao comentar o levante de usuários que se sentem prejudicados contra o traffic shaping. "É irreal esperar pagar 100 reais por mês e querer o máximo de um plano de 2 Mbps. Quem te vendeu esta idéia foi o marketing da provedora. Em lugar nenhum do mundo você terá" um plano de banda larga funcionando a todo vapor com o pagamento de uma parcela tão baixa, garante o executivo, para quem a solução está num entendimento melhor do contrato de prestação de serviços.
"Nos contratos, está claro que ela não garante toda a banda". Mais que isto: uma conexão doméstica ou para pequenas e médias empresas que entregue a velocidade prometida de 2 Mbps, por exemplo, custaria até 2 mil reais mensais", diz Neves, em reflexo direto da escassez de investimentos na banda larga brasileira, o que também inviabilizaria a comparação, constantemente feita por clientes insatisfeitos, com o setor de telecomunicações japonês ou europeu.
O presidente da consultoria Teleco, Eduardo Tude, concorda com Neves. "Elas (provedoras) colocam no contrato que não garantem aquela banda que vendem - há a garantia do mínimo. Neste sentido, elas não são crianças de prometerem algo que não entregam, senão já teriam perdido na Justiça", afirma Tude em uma teoria corroborada pelo histórico quase inexistente que o traffic shaping tem nos tribunais brasileiros.
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