Traffic shaping: entenda a polêmica sobre restrição de banda larga
Por Guilherme Felitti, editor assistente do IDG Now!
Publicada em 17 de abril de 2008 às 07h00
Atualizada em 28 de abril de 2008 às 20h59
Um sentimento comum é o do "eu paguei, portanto quero usar da maneira que quiser". "Na GVT, o traffic shaping é aplicado em horário pré-determinado, a partir das 9h da manhã (mais ou menos, com downloads via P2P limitados a 25kbps), terminando exatamente as 20h (com os downloads saltando de 25kbps para 100kbps)", detalha Juliano Valentin, usuário da banda larga da provedora desde janeiro de 2007.
Mauro Melillo tem reclamações semelhantes com a Brasil Telecom. "A filtragem (da operadora) começou em dezembro de 2007. Eu baixava (conteúdo multimídia de redes P2P) a 210 Kilobytes por segundo durante o dia todo e hoje não passo de 30 KB/s. Só aumenta um pouco durante madrugada", explica ele, que engrossa a multidão de insatisfeitos que publicaram vídeos no YouTube tentando provar a suposta prática do seu provedor.
A comparação que Belfort, da Abusar, faz com a prática das companhias aéreas de reservar mais passageiros para um vôo do que a aeronave comporta faz sentido, ironicamente, pelo mesmo motivo alegado por clientes que se sentem prejudicados: os detalhes que constam no contrato.
É prática comum das provedoras garantir um mínimo de velocidade a partir do plano de acesso contratado pelo cliente - contrato assinado e velocidade mínima garantida, o usuário fica sem respaldo legal para enfrentar a operadora sobre uma velocidade menor que aquela prometida na propaganda.
Somam-se a isto as negativas perpétuas que provedoras divulgam sobre a prática de traffic shaping e quem se sente prejudicado fica sem caminhos para recorrer. Ou como Juliano bem sintetiza: "O traffic shaping é tão camuflado que talvez nem mesmo os técnicos das operadoras conseguiriam comprová-lo se quisessem."
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