Quem assistirá a estréia da TV digital?
Por Daniela Moreira, repórter do IDG Now!
Publicada em 30 de novembro de 2007 às 06h00
Atualizada em 02 de dezembro de 2007 às 19h17
São Paulo - Um evento para poucos, mas uma promessa de transformação para muitos.
Zero. A menos de um mês da estréia da TV em São Paulo, o engenheiro norte-americano queria saber quantos receptores tinham sido vendidos pelo comércio à população. A resposta foi uníssona: nenhum. A passagem acima, narrada por Fernando Moraes em “Chatô, o Rei do Brasil”, retrata as vésperas da inauguração da TV Tupi, em 1950, mas poderia muito bem ser transposta para os dias de hoje.
Para resolver o problema da falta de audiência para a estréia da TV no Brasil, o folclórico Assis Chateaubriand mandou contrabandear duas centenas de aparelhos de TV, pois, por vias legais, os equipamentos não chegariam a tempo. Um deles foi direto para o Palácio do Catete, como presente ao presidente Eurico Gaspar Dutra, para resolver os empecilhos alfandegários.
Chatô mandou espalhar os aparelhos em vitrines de lojas por toda a cidade, mas o engenheiro norte-americano contratado para comandar a estréia da TV no Brasil, Walther Obermüller, não deixou de observar: “Quando vocês forem escrever a história da televisão no Brasil vão ter que dizer que no dia da estréia certamente havia mais gente atrás das câmeras do que diante dos receptores.”
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A dois dias do início oficial da transmissão digital, mais uma vez em São Paulo, a história parece se repetir. Os aparelhos não foram contrabandeados, mas também foram trazidos às pressas do exterior para garantir audiência para a estréia da TV digital e também chegaram de véspera - somente nesta semana as lojas colocaram conversores e TVs com receptores nas suas prateleiras.
A indústria não arrisca um palpite sobre quantos aparelhos serão vendidos neste primeiro momento e as emissoras não sabem dizer quem será sua audiência, mas uma coisa é certa: TV digital, por enquanto, é para poucos.
Com o conversor mais barato sendo vendido a 500 reais e as TVs com receptores custando para lá de oito mil reais, dentro do restrito universo que é a região metropolitana de São Paulo, onde o sinal chega primeiro, um grupo ainda mais seleto - aquele que, diga-se, sempre tem acesso às novidades em primeira mão - verá a TV digital nascer no Brasil.
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