RFID: por que a etiqueta de identificação ainda não decolou no Brasil?
Por Luiza Dalmazo, repórter do Computerworld
Publicada em 23 de julho de 2007 às 07h25
Atualizada em 03 de setembro de 2007 às 18h17
São Paulo - Executivos têm as razões da lentidão da massificação na ponta da língua e garantem que o uso em larga escala vai demorar.
Custo das etiquetas, legislação brasileira, falta de escala e perfil do mercado local são alguns dos fatores que fazem com que no Brasil não haja nada mais do que testes e iniciativas-piloto com etiquetas de identificação por radiofreqüência (RFID). Apesar das afiadas, persiste a certeza de que a tecnologia vai deslanchar. Quando, entretanto, ainda é uma dúvida.
Um dos mais otimistas é o gerente de engenharia de sistemas da unidade de negócio de mobilidade empresarial da Motorola (que comprou a Symbol), Gilberto Souza. Ele acredita que já em 2008 sairão do papel as primeiras iniciativas em produção com RFID. Mesmo assim, ele pondera que, de forma massificada, só veremos as etiquetas no mercado em quatro ou cinco anos. Por enquanto, o executivo diz que não há volume que justifique o interesse e os investimentos.
“No Brasil, o valor da etiqueta é o dobro do mercado norte-americano, onde custa entre cinco e 25 centavos de dólar”, acrescenta. Outro fator que justifica o atraso, segundo ele, são as regras brasileiras. Souza afirma que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) criou uma faixa de freqüência exclusiva para o RFID, diferente do resto do mundo. “Isso exigiu investimento dos fabricantes e alterações de engenharia, fatos que postergaram a adoção da tecnologia”, diz.
Ele lembra que atualmente até existem projetos de RFID no País, mas apenas com soluções proprietárias embutidas, como o sistema de pedágio “Sem Parar” das rodovias. Com o padrão internacional Código Eletrônico de Produto (EPC), nada está em prática localmente, por enquanto.
A associação responsável pela implementação desse padrão, a GS1, afirma que tem trabalhado desde 2003 para que a adoção do RFID nas empresas instaladas no Brasil aumente, mas que, depois da fase de conhecimento da tecnologia, estamos vivendo o momento de testes e provas de conceito. “Por enquanto, cada empresa está cuidando dos investimentos de seu lado”, analisa o gerente de soluções de negócio da GS1, Roberto Matsubayashi.
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O executivo considera que os projetos ainda não saíram do papel porque as empresas estão cautelosas e alertas depois do trauma da bolha da internet, o que se soma ao fato de que os leitores não estão 100% precisos. Por conta disso ele aposta que apenas em 2010 haverá um salto no número de adoções.
“Sabe-se que as empresas estão estudando qual é o momento adequado para entrar nessa nova era”, garante. Mais conservador, o ECR Brasil – movimento global de empresas industriais, comerciais e integrantes da cadeia de abastecimento que atua na busca de padrões comuns – também avalia que não só a adoção do RFID está devagar no Brasil, como que vai continuar assim.
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