Entrevista: como funcionará a TV aberta no celular no Brasil
Por Daniela Moreira, repórter do IDG Now!
Publicada em 01 de novembro de 2006 às 08h00
IDG Now! - Há outras melhorias no sistema brasileiro em relação ao japonês?
Arditti - O middleware, tecnologia que permite a interatividade, desenvolvido no Brasil pelas universidades, por exemplo, dota o produto de uma capacidade total. Aproxima mais o set-top box ou o telefone de um computador que a interatividade oferecida na Europa e no próprio Japão. Até por sermos os últimos a adotar o sistema, é possível incorporar os aperfeiçoamentos que estavam apenas em estudo antes.
IDG Now! - Quais as expectativas em relação à produção e vendas de celulares com TV no País?
Arditti - O mercado vai vivenciar uma substituição de todo o consumo de TV e celular que existe. Se, em tese, são vendidos 10 milhões de aparelhos de TV ao ano no Brasil hoje, no futuro esses 10 milhões vão ser todos com recepção para TV digital, até porque o sinal analógico um belo dia vai ser desligado e isso está previsto para acontecer em 2017.
Hoje, o Brasil consome 30 milhões de celulares ao ano e a tendência é que, no longo prazo, todos tenham televisão, assim como todos hoje têm a câmera fotográfica digital. Mas a curva de adoção é mais nebulosa porque existem fatores que impactam a velocidade de adoção. Um deles é a cobertura do sinal.
Estamos falando que a TV digital começa em dezembro de 2007, mas em São Paulo. Ao longo de 2008 que lentamente vão começar outras cidades - Rio de Janeiro, grandes cidades, depois cidades menores. Essa cobertura vai ter uma velocidade de implantação que também depende da capacidade das emissoras investirem. É preciso trocar uma série de equipamentos: transmissores, antenas, repetidores. Tem um investimento enorme a ser feito, o que não acontece do dia para a noite.
IDG Now! - O celular vai liderar o acesso móvel à TV digital?
Arditti - Certamente o celular é o aparelho portátil que tem mais vocação para receber a TV digital terrestre, porque você o carrega no bolso. Mas não quer dizer que vai ser o único produto. Onde tiver uma tela de boa resolução, no futuro esse display tende a ter um receptor de TV digital. Por exemplo, qualquer notebook hoje com tela de alta-definição, desde que se coloque um sintonizador para pegar o sinal digital, se torna um aparelho portátil, até com uma tela maior que a do celular. Um videogame portátil colorido, com tela de cristal líquido, pode se tornar um receptor de TV. Esses DVDs portáteis à bateria para automóvel, leva de um lugar para o outro, também podem ter TV digital. O PDA com tela colorida também pode se tornar um televisor. E fora isso temos os próprios televisores portáteis. Portanto, há um mundo de novas categorias de aparelhos que vão se tornar TV. Sem categorizar e analisar, as vendas de televisores digitais no Brasil - incluindo o que está dentro de casa, no bolso, nos notebooks e PDAs - vão movimentar uma cifra gigantesca. As pessoas que hoje têm um, dois, três televisores em casa vão acabar tendo quatro, cinco, seis ou mais. Por isso é uma verdadeira revolução.
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