Um ano após entrar em testes, Brasil não definiu sistema de rádio digital
Por Redação do IDG Now!*
Publicada em 29 de agosto de 2006 às 09h53
Atualizada em 29 de agosto de 2006 às 12h48
Quanto será o custo do conversor? Para a TV, fala-se em R$ 80 a R$ 120. Será um valor menor para o rádio?
Eu acho que sim. É mais simples, tem outro tipo de codificador. Mas não é uma transição inócua, haverá um custo social nacional para fazer isso, e é por isso que tem de ser pensado como política pública. Não há possibilidade de imaginarmos que a população vá fazer essa transição sem nenhum tipo de estímulo, sem nenhum tipo de vantagem. O que poderia acontecer se deixássemos ao espontaneísmo do mercado é o que aconteceu em outros países, onde a adesão à TV digital foi muito menor do que se esperava, por exemplo, nos Estados Unidos, na Europa, na Inglaterra. Isso atrasou por mais de dez anos o processo de digitalização. Então é um tipo de atividade econômica, mas também é um tipo de atividade social e política que precisa ter o comando do Estado para ser feita. Não é uma adesão tecnológica simplesmente a um outro patamar de negócios. Muda o paradigma, e portanto o estado, a nação, precisa ter controle sobre o processo, sob o risco segmentos importantes da economia que fazem parte da atividade de radiodifusão entrarem em colapso. E seria um desastre para o Brasil, seria um desastre para todos nós.
Como coordenador-geral do Fórum Nacional para Democratização da Comunicação, qual a avaliação do senhor em relação ao rádio?
Houve uma política exagerada de implementação da televisão no Brasil. Isto acabou produzindo uma disfunção, que é a diminuição dramática de verbas nesse segmento de rádio. Precisamos reverter isso de alguma maneira e acho que é preciso uma política que reorganize o mercado e injete um pouco mais de recursos. Não podemos fazer um processo de digitalização que comprometa as pequenas rádios do Brasil. A grande maioria das rádios são rádios comunitárias e rádios comerciais pequenas. Temos de ter um cuidado muito grande nisso, porque concentraríamos muito mais a propriedade do rádio no Brasil.
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