Um ano após entrar em testes, Brasil não definiu sistema de rádio digital
Por Redação do IDG Now!*
Publicada em 29 de agosto de 2006 às 09h53
Atualizada em 29 de agosto de 2006 às 12h48
São Paulo - Celso Augusto Schröder, do Fundo Nacional pela Democratização da Comunicação, fala dos benefícios da nova tecnologia.
Quase um ano após a autorização para o início dos testes de mercado, as transmissões de rádio digital ainda não decolaram no Brasil. O país não definiu se adotará a tecnologia Iboc, que está sendo testada por quinze emissoras desde setembro passado com autorização do Ministério das Comunicações. As entidades do setor discutem o que pode ou deve ser feito para escolher a tecnologia e também acelerar a transição para o novo padrão.
Na semana passada, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) lançou um movimento, a Aliança Brasileira para o Rádio Digital, que pretende estimular a mudança para a nova tecnologia. Mas a escolha do padrão a ser adotado ainda recebe críticas de entidades de defesa das rádios comunitárias, da comunidade acadêmica e do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), entre outras.
Nesta entrevista, concedida à Rádio Nacional após a fundação da aliança, o coordenador-geral do FNDC, Celso Augusto Schröder, fala dos benefícios que a nova tecnologia pode trazer para a sociedade, defende o apoio financeiro do governo nessa transição, mas critica a falta de debate sobre o padrão que será adotado. Schröder, que é professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, afirma que o custo do padrão Iboc é muito elevado e poderá inviabilizar a digitalização dass rádios de pequenas cidades, acenando para uma nova fase de concentração de transmissões pelas grandes redes comerciais no país.
Muito tem se falado sobre TV Digital, mas a digitalização também é assunto de rádio. O que muda no rádio?
Vai depender do modelo que o Brasil adotar. O modelo Iboc está sendo implementado e não está sendo discutido na amplitude que achávamos que tinha de estar. Esse modelo está sendo implantado a partir de interesses muito pontuais da grande radiodifusão brasileira. A televisão brasileira foi razoavelmente bem discutida, segmentos importantes da população brasileira pelo menos se inteiraram disso. No rádio acabou acontecendo meio que na prática, algumas experiências foram liberadas. O rádio ainda é um elemento nacional de integração, é um elemento importantíssimo de contato com populações que ainda não tem outras condições de contato com a situação nacional, temos que estar atentos para isso.
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