Emissoras defendem padrão digital japonês escolhido pelo Brasil
Por Redação, do IDG Now!*
Publicada em 29 de junho de 2006 às 16h28
Atualizada em 29 de junho de 2006 às 16h49
Rio de Janeiro - O presidente da Abert, José Inácio Pisani, diz que padrão japonês é o mais adequado para o mercado brasileiro.
O governo definiu o regime de transição da televisão brasileira para o sistema digital. O padrão adotado é o japonês, com algumas inovações tecnológicas desenvolvidas no Brasil. Por isso, o sistema está sendo chamado de nipo-brasileiro.
Para a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), que representa as emissoras de radiodifusão no Brasil, o modelo escolhido tem vantagens em relação aos modelos europeu e americano, adotados por outros países, principalmente quando se trata de mobilidade.
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Em entrevista à Rádio Nacional, o presidente da Abert, José Inácio Pisani, disse que o novo modelo vai garantir ao cidadão brasileiro a boa qualidade de transmissão. Abaixo, os principais trechos da entrevista.
As emissoras de televisão há algum tempo defendiam o modelo japonês. Por quê?
José Inácio Pisani - A Abert tem a responsabilidade de representar mais de 300 emissoras de televisão do Brasil. O Brasil hoje tem o privilégio de deter uma massa de conhecimento extremamente significativa no setor de transmissão de conteúdo gratuito pelo ar. Analisando todos os modelos existentes no mundo, concluiu-se que o padrão japonês era o mais adequado para a situação brasileira, porque garante ao cidadão brasileiro a perenidade do modelo existente. Esta geração e as que sucederão terão a certeza de que continuarão recebendo a melhor televisão do mundo, produzida aqui no Brasil, no melhor padrão de qualidade existente em todo o mundo, de forma livre e gratuita em alta definição.
Uma das críticas que algumas entidades fazem é de que o sistema europeu seria mais democratizante, ao permitir mais acesso não apenas das emissoras já existentes. Como a Abert responde a isso?
Pisani - A Abert tem a responsabilidade de contribuir com as autoridades brasileiras para que consigamos trabalhar com uma qualidade compatível com qualquer outro tipo de mídia. Caso não fosse adotado o sistema japonês, teríamos o risco de não ter toda a cadeia de valor em um modelo atual de radiodifusão, desde a alta definição até a mobilidade, que será um item novo na vida dos cidadãos brasileiros. Ou seja, a televisão brasileira poderá ser recebida com a mesma qualidade dos televisores fixos nos televisores móveis, de forma gratuita. Esse é o modelo que defendemos.
Quem tem um televisor antigo vai precisar trocá-lo imediatamente?
Pisani - Neste modelo sugerido esta é uma grande vantagem, porque o cidadão comum que não tiver interesse em substituir o seu televisor poderá agregar uma pequena caixa que transcodificará este sinal, recebendo do ar o sinal digital e transcodificando para o sinal analógico, para que ele possa com o seu televisor normal que tem em casa receber muito mais qualidade.
Qual o tempo da transmissão completa do sistema atual para o digital?
Pisani - Hoje estimamos em 10 anos. O Brasil é um país de dimensões continentais, mas pela qualidade que essa tecnologia oferece, o empenho da radiodifusão é minimizar este tempo, mas imaginamos que em uma análise de hoje em dez anos talvez todo o país já tenha substituído todo o seu parque técnico. Esse é um assunto que ainda tem uma ligação profunda com futurologia.
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