Ameaça invisível: como proteger as redes sem fio
Por Daniela Moreira, repórter do IDG Now!
Publicada em 24 de maio de 2006 às 07h00
São Paulo – Vizinhos oportunistas ou espiões estão atrás de dados confidencias da sua empresa. Aprenda a se proteger destes perigos do mundo sem fio.
O mundo sem fios é um convite à praticidade. Basta ligar um dispositivo móvel e as opções de redes wireless disponíveis no perímetro multiplicam-se na sua tela. O problema é que da mesma forma que elas aparecem para você, como num passe de mágica, elas também estão à vista de possíveis invasores.
“Quando o usuário instala uma rede física, ao ouvir o clique do cabo sendo encaixado, ele se sente imediatamente acessível, ameaçado e toma uma série de providências para se proteger”, afirma Marcos Sêmola, consultor de gestão de riscos da Atos Origin no Reino Unido.
“Com a rede wireless, não há esse sentimento. A ausência de cabos e fios tira do usuário a percepção de que ele está conectado e, dessa forma, ele navega tranquilamente uma, duas semanas sem nem pensar em segurança. O problema é que até mesmo algumas horas sem proteção na web podem ser fatais.”
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Deslumbrado com a capacidade de se conectar a uma rede sem e sair navegando imediatamente, o usuário se esquece de cuidados básicos, essenciais a qualquer incursão pelo mundo virtual – seja com ou sem fios –, cada vez mais povoado por ameaças invisíveis: habilitar o recurso de firewall, instalar softwares de antivírus, de anti-spyware e de identificação e de proteção à intrusão, conta Sêmola.
Segundo o especialista, mesmo aqueles usuários que se preocupam em tornar a rede segura podem encontrar dificuldades, por estarem lidando com uma tecnologia nova. “Tenho um amigo que habilitou o recurso de criptografia da sua rede sem fio e depois ele mesmo não conseguia acessá-la, pois não sabia a senha”, conta o consultor. “É como trancar um cofre com a chave dentro”.
O exemplo bem humorado ilustra que a proteção no ambiente wireless passa por barreiras técnicas, mas mostra também que os recursos estão disponíveis e devem ser usados. Na dúvida, peça ajuda ao fabricante. A criptografia mencionada por Sêmola é uma das armas contra possíveis invasores e está disponível em qualquer ponto de acesso vendido no mercado.
O protocolo de criptografia padrão é o WEP (Wired Equivalency Privacy) e pode ser configurado pelo próprio usuário. Ao habilitá-lo, é importante trocar a chave (que funciona como uma senha) de criptografia que já vem de fábrica com o aparelho e normalmente é bastante óbvia. É recomendável, como na definição de qualquer senha, utilizar números, letras e caracteres e escolher uma combinação que não remeta a coisas óbvias, como datas de aniversário e casamento ou nome de bichos de estimação.
Outra medida simples que permite aumentar a segurança no ambiente sem fio é desabilitar o SSID (Server Set ID), que funciona como uma identidade da rede sem fio que é enviada para os dispositivos móveis no perímetro do ponto de acesso. Com este recurso desabilitado, os usuários de aparelhos móveis próximos à rede conseguem visualizá-la, mas não identificá-la e nem acessá-la.
Sem essas precauções mínimas, o usuário fica exposto, na melhor das hipóteses, a um vizinho xereta que pode encontrar a sua rede e aproveitar a sua conexão à banda larga para navegar sem gastar nenhum centavo e, na pior das hipóteses, a um invasor que poderá vasculhar seus arquivos compartilhados e causar danos mais sérios.
Redes corporativas
As ameaças invisíveis que cercam uma rede sem fio têm proporções ainda mais graves no ambiente corporativo. “Se uma empresa não mede corretamente a extensão da sua rede sem fio, o hacker pode se sentar em um cibercafé do outro lado da rua e tentar invadir a ambiente. Presenciei testes em Wall Street que mostravam que diversas redes corporativas eram captadas a partir da rua”, conta Sêmola.
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