Tecnologia sob medida para você
Por Guilherme Felitti, repórter do IDG Now!
Publicada em 16 de março de 2006 às 07h00
Atualizada em 26 de julho de 2006 às 17h58
São Paulo - Com mais e mais recursos tecnológicos, designers traçam os contornos dos gadgets high-tech que você usa hoje. E preparam o seu futuro.
Os produtos feios que me perdoem, mas design é fundamental. Sim, de que adianta um celular com recursos inovadores, se o aparelho não é chamativo aos olhos do consumidor ou mesmo se os recursos são difíceis de se utilizar?
O inverso também é verdadeiro, pois o design por si só não vende nada, mas a combinação de um produto tecnologicamente avançado, com um visual arrojado é o primeiro sintoma do sucesso comercial.
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“Os equipamentos de maior sucesso têm preocupação com o design”, esclarece Bill Martinez, professor de design da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). Para Martinez, o desenho de um produto também é crucial no momento em que o usuário está frente à prateleira, prestes a fazer uma escolha.
“Sem dúvida, o design é importantíssimo para o sucesso de um produto, ainda mais de tecnologia”, corrobora o também professor Renato Hayashi, da Escola Panamericana de Arte.
Mesmo os não entusiastas high-tech não têm dificuldades em se lembrar da primeira cara de aparelhos extremamente difundidos hoje. A alcunha de “tijolar” que os primeiros celulares ganharam não era à toa: grandes e desengonçados aparelhos como o TeleTAC, da Motorola, chegavam a pesar quase 800 gramas, não primavam pelo manuseio e muito menos pelo visual.
Boa parte da evolução do equipamento de tecnologia deve-se à obrigação do design de facilitar o acesso do usuário a todas as suas funções, acredita Axel Meyer, diretor de design para multimídia da Nokia.
“A tecnologia é tão importante quanto o design, mas o crucial é a usabilidade. Não adianta nada o usuário ter um celular bonito e não se expressar por ele”, afirma o argentino, responsável pela criação de aparelhos da empresa finlandesa.
“Todo mundo gosta do belo, mas a beleza é tão importante quanto a funcionalidade no design. O objetivo é a forma de se associar à arte para a função de beneficiar a vida”, teoriza Martinez.
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Além da relação entre forma atrativa, ótima interface para usuários e usabilidade de primeira, Michel Sabouné, designer internacional da Sony Ericsson, vê um quarto fator na elaboração de um produto: o fator UAU!. “É um pequeno extra sobre tudo que faz o cliente abrir um sorriso”.
O fator Apple
É o que acontece com dez entre dez designers -- e muito provavelmente entre os consumidores --, quando a Apple lança um novo produto inovador. “O [Jonhatan] Ive [designer de toda a linha da companhia] é o pai de um novo paradigma, que é o design mais amigável”, acredita Martinez.
Ainda que pareça exagero, reflexos das criações de Ive podem ser facilmente reconhecidos em outros produtos de tecnologia ou mesmo em setores que não têm nada de high-tech.
Criadora do Macintosh, que em 1984 revolucionou o design dos computadores (não só pelo hardware, mas também por um sistema operacional muito fácil de usar), a Apple foi também responsável pelo início da preocupação estética com os PCs ao anunciar o iMac, em 1997.
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