Entrevista: designer de expressões
Por Guilherme Felitti, repórter do IDG Now!
Publicada em 16 de março de 2006 às 07h00
Atualizada em 16 de março de 2006 às 18h16
São Paulo - Grande mérito do celular é gerar expressões, diz diretor de design da Nokia.
Um diretor de design de celulares poderia estar muito bem preocupado com formas, materiais e traços em primeiro lugar. Não é o que ocorre com Axel Meyer, responsável por liderar uma equipe de designers, programadores e antropólogos, que desenvolvem os celulares multimídia da Nokia.
Este argentino, de 37 anos, que está na companhia finlandesa desde 2000, acredita que o grande mérito dos aparelhos multimídia que desenha é o sentimento que podem gerar entre as pessoas.
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Antes de entrar para o time da Nokia, o designer formado pela Universidade de Buenos Aires
desenhou móveis para uma companhia holandesa e trabalhou na Philips. Saiba mais sobre o trabalho e as idéias Meyer nesta entrevista exclusiva ao IDG Now!.
IDG Now! - Há uma relação entre o design e o sucesso em produtos de tecnologia?
Axel Meyer - Absolutamente. Se você não souber empacotar a tecnologia, os consumidores não vão entender. O usuário precisa se identificar e sentir-se próximo.
Nosso principal foco não é desenhar telefones celulares, mas sim computadores multimídia para pessoas. É só ver o que uma pessoa pode fazer com um modelo da N series. Ele pode tirar fotos de três megapixels, editar filmes ou acessar a web. Não são coisas para ligar ou mandar uma mensagem.
O foco de se desenhar produtos high-tech é o que você pode suscitar nas pessoas, criando conexões ou fazendo com que elas criem obras em conjunto. O mais interessante da tecnologia é fazer com que as pessoas experimentem sentimentos. Esse é o foco da revolução cultural que está acontecendo agora, não amanhã.
IDG Now! - Como é o trabalho de quem desenha um produto de tecnologia?
Axel Meyer - Temos um grupo que une de designers a programadores e antropólogos. Não era possível há 30 anos pensar que teríamos essa complexidade que temos hoje para entender melhor o usuário. Mas, atualmente, é necessário ter diferentes times para se desenhar um produto.
Estamos interessados em saber quais serão as experiências das pessoas em 2010. Como vou acordar, como vou compartilhar, como vou organizar minhas músicas e minhas fotos. Temos um projeto que leva um pouco da nossa experiência em workshops realizados mundialmente. Visitamos diferentes países para sugerir como as pessoas podem criar de uma maneira melhor, principalmente para estudantes. Em Los Angeles, Tóquio, Dinamarca, China ou Londres, você leva o estudante a entender um processo criativo diferente.
IDG Now! - De uma certa maneira, esse projeto mundial faz com que vocês entendam as necessidades regionais de cada aparelho...
Axel Meyer - Sim, sem dúvida. Com o (projeto) Only Planet, passamos por inúmeras cidades e aprendemos o que eles pensam no Brasil, por exemplo. É uma aula para nós, com diversas culturas e necessidades.
IDG Now! - Há uma face universal para o design na tecnologia, que independe de diferenças culturais?
Axel Meyer - Há alguns elementos de arte e design que não têm cara ou nação. Você tem de criar usando sua inspiração, depois de ver o que as pessoas querem e precisam. É necessário criar um design pra que elas tenham a melhor experiência possível com o equipamento.
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