EUA, Europa e Japão: conheça os três padrões de TV digital
São Paulo - Saiba como funcionam as tecnologias que podem definir o futuro da TV no Brasil. Uma delas será escolhida para o sistema brasileiro.
Não bastasse a burocracia inerente a uma mudança do porte desta, a transição para a TV digital traz consigo um debate polêmico, que envolve interesses plurais e forte lobby internacional.
Embora o país tenha optado por adotar um sistema nacional – o Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD) – no ano de 2003, as discussões para definir qual modelo internacional servirá de referência se prolongam até hoje.
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Na tentativa de evitar o fiasco do sistema Pal-M (adotado na época da transição da transmissão preto-e-branco para a colorida), que só emplacou no Brasil e atrasou a migração por falta de economia de escala na produção de equipamentos, o governo optou por criar um modelo nacional de TV digital baseado em um dos padrões vigentes no mundo: o norte-americano (ATSC), o europeu (DVB) e o japonês (ISDB).
Essa decisão traz consigo o peso das organizações internacionais na pressão por conquistar um mercado do porte do Brasil para seu bloco, sem falar na divergência interna da preferência dos diversos setores envolvidos na adoção do sistema.
“A TV digital é uma mudança de paradigma que afeta diversos segmentos. Não só a radiodifusão, mas também a telefonia, internet, os fabricantes de eletrônicos, entre outros”, argumenta Marcelo Zuffo, professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.
“De um lado temos a telefonia, que está estagnada e busca novos mercado. De outro, a radiodifusão, que tem sua atuação limitada pelo espectro disponível e quer exportar conteúdo para ampliar sua receita. Além disso, há a indústria de eletrônicos que está rachada. Fabricantes europeus pressionam a adoção do DVB e o mesmo vale para os demais”, detalha o professor.
Com a proximidade da data fixada para a definição do padrão de TV digital brasileiro – 10 de fevereiro –, o debate em torno do melhor modelo para o País está cada vez mais caloroso, envolvendo atores do plano político, da indústria , das emissoras de TV e do lobby internacional.
Em um debate na Câmara dos Deputados, no dia 31/01, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, declarou que a decisão está entre o padrão europeu e o japonês, mas a palavra final só será conhecida dentro de alguns dias. Apesar disso, Costa já manifestou publicamente sua opinião favorável ao padrão japonês.
Hélio Costa vem travando uma guerra silenciosa nos bastidores com os ministros da Fazenda, Antonio Palocci, da Casa Civil, Dilma Rousseff, e do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, que pensam diferente do titular da pasta das Comunicações.
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