Tecnologia em movimento
Por Daniela Braun, repórter do IDG Now!
Publicada em 11 de novembro de 2005 às 07h00
Atualizada em 03 de março de 2006 às 12h01
Você já contou o número de fios que saem de trás da sua CPU? Se olhar agora, provavelmente vai encontrar pelo menos meia dúzia de cabos que ligam o seu computador aos periféricos, à rede de telefone e energia.
Mas tudo indica que este emaranhado de conexões físicas está com os dias contatos, pelo menos para uma parcela da população mundial.
As tecnologias de conexão sem fio – que viabilizam a comunicação remota entre dispositivos eletrônicos – estão se tornando mais baratas e, com isso, ganhando um número cada vez maior de adeptos, tanto no mundo das empresas quanto no universo doméstico
O número de pontos de acesso públicos à internet sem fio (hot spots) deve superar a marca dos 136 mil em todo o mundo em 2005, de acordo com a IDC. No Brasil, as duas maiores redes de hot spots – das provedoras Vex e Telefônica – contabilizam juntas mais de 1,1 mil pontos de acesso.
De acordo com previsões do Gartner, 80% dos notebooks do mundo já serão vendidos com Wi-Fi (ou seja, capacidade a acessar a web sem fio) neste ano. O mercado brasileiro não fica tão atrás: no primeiro trimestre de 2005, 43,5% dos laptops já eram comercializados com placa de conexão wireless, segundo a IDC, índice que, um ano antes, era de apenas 29,5%.
E a tecnologia sem fio não é usada apenas nos notebooks, para acessar a internet longe da casa ou do trabalho. A cobertura de empresas com redes sem fio garante aos funcionários mobilidade dentro da própria área da companhia, e, nas residências, evita o quebra-quebra de paredes e as trilhas de fios para compartilhar a banda larga entre dois ou mais computadores localizados em diferentes ambientes.
Entre janeiro e junho deste ano, a venda de equipamentos para redes Wi-Fi movimentou 733 milhões de dólares no mundo. Em 2008, a previsão é de que 4,1 bilhões dólares sejam gerados a partir da venda de tecnologia para conexão sem fio.
Por enquanto, a participação da América Latina neste negócio bilionário é tímida: menos de 3% das vendas no segundo trimestre deste ano. Mas a tendência é de que essa curva se incline cada vez mais.
“Já não temos mais problemas de custos. Os equipamentos do padrão 802.11b – que oferecem velocidade mais do que satisfatória para usuários domésticos e empresas – podem ser encontrados por custo a partir de 120 reais”, opina Eduardo Prado, consultor especializado em tecnologias wireless.
Voz e dados no ar
Para Prado, o mercado só não deslancha no país porque as operadoras ainda não descobriram como ganhar dinheiro com este negócio.
A preocupação é que, à medida que os dispositivos móveis tenham uma área de cobertura ampla e conexão a preços acessíveis, as chamadas de celular sejam substituídas por ligações via internet, utilizando VoIP (voz sobre IP).
A tendência de uso da web para fazer chamadas telefônicas com custos reduzidos já se mostrou forte nos desktops, ameaçando a telefonia fixa, e pode ganhar ainda mais corpo se reproduzida no ambiente sem fio.
Tecnologia para isto já existe: em 2004, foram vendidos 143 mil aparelhos móveis com acesso a VoIP via Wi-Fi no mundo, o que gerou uma receita de 54,7 milhões de dólares. A venda de aparelhos híbridos, com função de celular e acesso a Wi-Fi, movimentou 6,7 milhões de dólares no último ano.
“A questão no Brasil é que as operadoras investiram muito nas suas redes de transmissão de dados. Ao habilitar o Wi-Fi em larga escala elas certamente estariam minando o potencial de retorno sobre este investimento”, explica Luis Minoru, analista do Yankee Group.
Seja pela infra-estrutura já estabelecida pelas operadoras, pelas redes de terceira geração (3G) – que ainda não foram licitadas no Brasil – ou pela conexão Wi-Fi, não resta duvidas de que o acesso remoto a voz, dados, imagens e vídeos em um mesmo dispositivo móvel – a tão falada convergência – é cada vez mais uma realidade.
A conveniência de poder acessar os conteúdos que queremos, a partir de qualquer ponto e a qualquer momento tem um apelo inegável. A tendência, sem dúvida, é de que nos tornemos cada vez mais móveis.
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