Tecnologias: Wi-Fi, WiMax, Bluetooth e muito mais
Por Daniela Moreira, repórter do IDG Now!
Publicada em 11 de novembro de 2005 às 07h00
Atualizada em 03 de março de 2006 às 12h31
Desde a descoberta da transmissão de som por meio de ondas, a evolução do transporte de informações pelo ar não pára de evoluir.
Quando desenvolveu a técnica de transmissão de som por meio das ondas de rádio no final do século XIX, o italiano Guglielmo Marconi – há controvérsias se ele teria mesmo sido o pioneiro, mas vamos admitir essa versão da história para fins práticos – não deveria imaginar a infinidade de aplicações que a sua descoberta teria mais de 100 anos depois, no nosso mundo contemporâneo.
Utilizada para transmitir código morse via telégrafo no início do século XX, a descoberta do italiano causou uma revolução sem precedentes na forma como os seres humanos se comunicam. O rádio, a televisão, o telefone celular, entre outras tecnologias que fazem parte do nosso cotidiano, só existem porque alguém foi capaz de encontrar este caminho para um tráfego sem fio.
E o episódio dessa revolução que se propaga no ar que vivemos hoje é a conexão de equipamentos de informática e a transmissão de dados via radiofreqüência.
Wi-Fi
Um dos principais agentes dessa transformação é um padrão tecnológico batizado de Wi-Fi (abreviação de Wireless Fidelity). A nomenclatura é atribuída a um conjunto de equipamentos que permitem estabelecer uma rede local sem fio (também conhecida como WLAN, do inglês Wireless Local Area Network).
Inicialmente criado para permitir que aparelhos sem fio se comunicassem com redes conectadas por cabos, atualmente o Wi-Fi é utilizado principalmente para possibilitar o acesso desses mesmos equipamentos à internet. A tecnologia também permite a comunicação entre desktops, eliminando o quebra-quebra de paredes para conectar os computadores.
Um típico roteador Wi-Fi permite a cobertura de um raio de 45 metros em ambiente interno e 90 metros em área externa. Mas é possível criar redes de múltiplos pontos para garantir uma área de cobertura maior (conhecidas como Wireless Mesh Networks).
Há uma série de projetos em todo mundo que tem como objetivo garantir a cobertura de cidades inteiras com acesso wireless. É o caso de Grand Haven, no Michigan, primeira cidade dos Estados Unidos a contar com acesso Wi-Fi em todo seu território.
É também a tecnologia Wi-Fi que permite o acesso à internet sem fio em locais públicos – chamados de hotspots – como cibercafés, aeroportos, hotéis e etc.
Os aparelhos Wi-Fi operam em diferentes freqüências, padronizadas pela IEEE (Institute of Electrical and Electronics Engineers).
Os padrões atualmente homologados são 802.11a, que opera na freqüência de 5 GHz e atinge velocidade de 54 Mbps (megabits por segundo); 802.11b, que tem velocidade de 11 Mbps e opera na freqüência de 2,4 GHz; e 802.11g, que também opera em 2,4 GHz, mas tem velocidade de 54 Mbps.
Também foi criada uma atualização de segurança do padrão, o 802.11i, que conta com o novo protocolo AES (Advanced Encryption System), que oferece maior proteção.
O grupo do comitê IEEE 802.11 trabalha ainda na definição de um padrão com taxa de transferência em redes sem fio com velocidade de pelo menos 100 Mbps, mas com o objetivo de atingir até 540 Mpbs. A primeira versão do padrão, que se chama 802.11n, está prevista para o primeiro semestre de 2006.
WiMax
“É um Wi-Fi turbinado”, brinca Eduardo Prado, consultor especializado em tecnologias wireless, a respeito da definição de WiMax.
O protocolo 802.16 permite atingir uma área de cobertura muito maior – um raio de até 50 quilômetros – e velocidade de até 70 Mbps. Sua aplicação será principalmente para interligar filiais de companhias e para levar o acesso a internet em áreas metropolitanas, segundo o especialista.
Já existem testes do emprego da tecnologia para este propósito em diversos países, inclusive no Brasil. A Intel realizou um piloto na cidade de Ouro Preto, área de topografia complexa, onde o cabeamento é inviável, inclusive pela existência de muitos prédios tombados.
Também temos no país dois provedores de acesso em banda larga que utilizam equipamentos WiMax para oferecer conexão aos seus clientes: Neovia e Directnet.
Em relação à padronização, há um protocolo já homologado desde 2004, o 802.16d, conhecido como padrão fixo.
Mas há também um padrão que deve ser homologado até o final deste ano, o 802.16e, conhecido como padrão móvel, que permitirá que o acesso seja mantido mesmo com o dispositivo em movimento.
Diferente do Wi-Fi, que utiliza apenas freqüência não regulamentada, o WiMax pode operar em duas faixas distintas: uma licenciada – que deverá ser adquirida junto à Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e outra livre.
Segundo Prado, as empresas que forem estabelecer conexão interna ou entre filiais com a tecnologia deverão usar a faixa não-licenciada, enquanto as operadoras de telecomunicações – que usarão a tecnologia para prover banda larga – provavelmente usarão um mix de freqüência licenciada e livre.
Para levar o selo de produto WiMax o equipamento deve ser homologado pelos laboratório Cetecom, associado ao WiMax Forum (grupo que fomenta o desenvolvimento da tecnologia) e sediado na Espanha.
A organização só começou a testar e homologar produtos em julho deste ano, portanto os produtos baseados na tecnologia usados até então são considerados pré-WiMax.
Bluetooth
O Bluetooth (IEEE 802.15.1) é um padrão sem fio para redes pessoais. Com um alcance restrito (em media 10 metros), é utilizado para conectar PDAs, celulares, laptops, PCs, impressoras e câmeras digitas a uma freqüência curta de rádio e com baixo consumo de energia.
Entre as aplicações mais comuns da tecnologia estão a conexão de fones sem fio a celulares e periféricos – como mouses, teclados e impressoras – ao computador.
Há quem diga que aparelhos telefônicos com Bluetooth serão fundamentais para aplicações de VoIP (voz sobre IP), oferecendo mobilidade relativa ao usuário que está fazendo uma ligação a partir do desktop.
Mas a tecnologia enfrenta desafios no que diz respeito à segurança. É por meio da conexão Bluetooth que os vírus estão chegando ao celular. Aparelhos com o sistema operacional Symbian recebem códigos maliciosos por meio da tecnologia, embora o vírus só possa ser instalado se o usuário autorizar.
Também foram registrados casos no Reino Unido em que ladrões utilizaram dispositivos Bluetooth para detectar a presença de notebooks guardados em carros e roubá-los.
O que vem por aí
Como nada no mundo da tecnologia parece ser para sempre, já existem possíveis substitutos, ou pelo menos prováveis rivais, para estes padrões.
Uma especificação chamada ZigBee (IEEE 802.15.4), para comunicação de curto alcance, promete revolucionar o mundo das redes sem fio locais. O padrão deverá ser utilizado na automação empresarial e em aplicações domésticas também – para abrir e fechar portas, por exemplo, ou ainda em aplicações de segurança.
O padrão promete baixo consumo, além de ter sido criado para ser mais simples e mais barato que outras tecnologias, como o Bluetooth.
Outra sigla em voga no mundo wireless é o UWB (IEEE 802.15.3) – ou ultrawide band – que deve ser homologado em 2006.
Coma previsão de atingir velocidade de até 1Gbps, deve ser um competidor do Wi-Fi, com aplicação em streaming de vídeo e uso em filmadoras, por exemplo.
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