
Mente hacker
Denny Roger é analista de segurança de redes
Publicada em 12 de março de 2008 às 13h10
Hackers na empresa
Sem saber, você pode estar conversando ou trabalhando com um hacker. Por Denny Roger
Não se deixe enganar pelas aparências ou pela camaradagem que existe na
sua empresa. Você pode estar conversando ou trabalhando com o hacker
interno.
O hacker interno é aquele colaborador ou prestador de
serviço que busca sempre burlar o esquema de segurança implementado
pela empresa. É a pessoa que procura meios e técnicas para acessar o
comunicador instantâneo, o webmail etc., que foram bloqueados e
proibidos pela alta direção.
Este tipo de atacante é encontrado
cada vez mais nas empresas. São pessoas geralmente jovens e com uma
cultura onde tudo deve ser permitido.
Vamos conhecer os três principais problemas gerados pelos hackers internos:
1) Uso do comunicador instantâneo para reduzir o custo com telefonia
O
que acontece na prática é a perda de produtividade por estarem sempre
conversando com “paqueras”, namorado(a), amigo(a), etc. Também existe o
risco de vazamento de informações através deste tipo de tecnologia.
Outro fator que contribui para o bloqueio desta ferramenta combinada
ao e-mail pessoal é a invasão de privacidade. A empresa não pode
monitorar o e-mail ou o messenger pessoal do seu funcionário. E tudo
que não pode ser monitorado deve ser bloqueado.
Mas se a
empresa bloqueia o uso do messenger, o hacker interno procura
alternativas de acesso, tais como o web messenger (ferramenta que
permite o acesso ao comunicador através de uma página web). Já detectei
alguns casos onde o web messenger estava programado para capturar o
usuário e a senha do messenger. Em muitos casos o hacker interno
acredita estar burlando o esquema de segurança da sua empresa, mas na
verdade está caindo em uma armadilha virtual.
2) Desespero pelo Orkut
As
empresas lutam contra os hackers internos que buscam formas de acessar
a popular rede social do Google. É comum estar explícito na política de
segurança da empresa que é proibido o acesso ao Orkut e a outros sites
de relacionamento. Porém, algumas pessoas não agüentam ficar algumas
horas sem acessar o Orkut e procuram técnicas para burlar o esquema de
segurança.
O mais absurdo que consegui detectar foram casos
onde o funcionário da empresa entra em contato via telefone com um
colega que está em casa ou em outra empresa. Essa pessoa fornece o seu
usuário e a senha para o amigo acessar o Orkut. Depois o amigo copia os
recados que estão no Orkut e envia os recados para o e-mail corporativo
do colega. Ou seja, mesmo com o site do Orkut bloqueado, o hacker
interno está acessando os seus recados utilizando o próprio e-mail
corporativo.
3) Notebook pessoal no ambiente corporativo
Os
preços dos notebooks estão cada vez mais acessíveis às pessoas de
classe média. Podemos perceber um aumento da utilização de notebooks
pessoais no ambiente corporativo. Um dos problemas é a disseminação de
software pirata, filmes, músicas etc., na rede. O hacker interno
utiliza o seu notebook pessoal para distribuir aos colegas de trabalho
fotos pornográficas, músicas, filmes, entre outros.
A empresa
não pode monitorar o notebook pessoal do seu funcionário, o que faz com
que a área de auditoria encontre dificuldades em conseguir evidencias
de que o hacker interno está distribuindo arquivos não permitidos no
ambiente computacional.
É importante a empresa implementar
programas de conscientização para minimizar o risco de criar hackers
internos. A área de tecnologia ou segurança da informação deve possuir
recursos para detectar desvios na política de segurança ou diretrizes
da empresa e detectar estes funcionários.
O setor de Recursos
Humanos deve sempre conscientizar os funcionários sobre as punições em
casos de violações da política de segurança, normas e código de ética.
Deixe
bem claro para os funcionários da sua empresa que devem sempre informar
a área de auditoria quando descobrirem o hacker interno. Caso contrário
a pessoa torna-se cúmplice e também pode sofrer uma punição.
Denny Roger
é consultor independente, membro Comitê Brasileiro sobre as normas de
gestão de segurança da informação (série 27000), especialista em
análise de risco, projetos de redes seguras e perícia forense. E-mail:
denny@dennyroger.com.br.
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