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20 de setembro de 2009
Colunistas

Mente hacker

Denny Roger é analista de segurança de redes

Publicada em 12 de março de 2008 às 13h10

Hackers na empresa

Sem saber, você pode estar conversando ou trabalhando com um hacker. Por Denny Roger

Não se deixe enganar pelas aparências ou pela camaradagem que existe na sua empresa. Você pode estar conversando ou trabalhando com o hacker interno.

O hacker interno é aquele colaborador ou prestador de serviço que busca sempre burlar o esquema de segurança implementado pela empresa. É a pessoa que procura meios e técnicas para acessar o comunicador instantâneo, o webmail etc., que foram bloqueados e proibidos pela alta direção.

Este tipo de atacante é encontrado cada vez mais nas empresas. São pessoas geralmente jovens e com uma cultura onde tudo deve ser permitido.

Vamos conhecer os três principais problemas gerados pelos hackers internos:

1) Uso do comunicador instantâneo para reduzir o custo com telefonia
O que acontece na prática é a perda de produtividade por estarem sempre conversando com “paqueras”, namorado(a), amigo(a), etc. Também existe o risco de vazamento de informações através deste tipo de tecnologia. Outro fator que contribui para o bloqueio desta ferramenta  combinada ao e-mail pessoal é a invasão de privacidade. A empresa não pode monitorar o e-mail ou o messenger pessoal do seu funcionário. E tudo que não pode ser monitorado deve ser bloqueado.

Mas se a empresa bloqueia o uso do messenger, o hacker interno procura alternativas de acesso, tais como o web messenger (ferramenta que permite o acesso ao comunicador através de uma página web). Já detectei alguns casos onde o web messenger estava programado para capturar o usuário e a senha do messenger. Em muitos casos o hacker interno acredita estar burlando o esquema de segurança da sua empresa, mas na verdade está caindo em uma armadilha virtual.

2) Desespero pelo Orkut
As empresas lutam contra os hackers internos que buscam formas de acessar a popular rede social do Google. É comum estar explícito na política de segurança da empresa que é proibido o acesso ao Orkut e a outros sites de relacionamento. Porém, algumas pessoas não agüentam ficar algumas horas sem acessar o Orkut e procuram técnicas para burlar o esquema de segurança.

O mais absurdo que consegui detectar foram casos onde o funcionário da empresa entra em contato via telefone com um colega que está em casa ou em outra empresa. Essa pessoa fornece o seu usuário e a senha para o amigo acessar o Orkut. Depois o amigo copia os recados que estão no Orkut e envia os recados para o e-mail corporativo do colega. Ou seja, mesmo com o site do Orkut bloqueado, o hacker interno está acessando os seus recados utilizando o próprio e-mail corporativo.

3) Notebook pessoal no ambiente corporativo
Os preços dos notebooks estão cada vez mais acessíveis às pessoas de classe média. Podemos perceber um aumento da utilização de notebooks pessoais no ambiente corporativo. Um dos problemas é a disseminação de software pirata, filmes, músicas etc., na rede. O hacker interno utiliza o seu notebook pessoal para distribuir aos colegas de trabalho fotos pornográficas, músicas, filmes, entre outros.

A empresa não pode monitorar o notebook pessoal do seu funcionário, o que faz com que a área de auditoria encontre dificuldades em conseguir evidencias de que o hacker interno está distribuindo arquivos não permitidos no ambiente computacional.
 
É importante a empresa implementar programas de conscientização para minimizar o risco de criar hackers internos. A área de tecnologia ou segurança da informação deve possuir recursos para detectar desvios na política de segurança ou diretrizes da empresa e detectar estes funcionários.

O setor de Recursos Humanos deve sempre conscientizar os funcionários sobre as punições em casos de violações da política de segurança, normas e código de ética.

Deixe bem claro para os funcionários da sua empresa que devem sempre informar a área de auditoria quando descobrirem o hacker interno. Caso contrário a pessoa torna-se cúmplice e também pode sofrer uma punição.
 
Denny Roger é consultor independente, membro Comitê Brasileiro sobre as normas de gestão de segurança da informação (série 27000), especialista em análise de risco, projetos de redes seguras e perícia forense. E-mail: denny@dennyroger.com.br.

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