
Firewall
Marcos Sêmola é diretor de IT Governança, Risco e Compliance da Shell na Holanda
Publicada em 28 de junho de 2007 às 11h35
Atualizada em 28 de junho de 2007 às 18h37
Entenda a Ciência Forense
Marcos Sêmola faz uma avaliação sobre a ciência que investiga os crimes eletrônicos.
Novas profissões e nichos de mercado surgem em função de novas necessidades, enquanto outras profissões simplesmente se renovam. Isso vem ocorrendo com os profissionais de perícia técnica, o que tem despertado enorme interesse dos jovens estudantes e também dos experientes profissionais de tecnologia da informação. Entretanto, antes de falar mais diretamente sobre Prática Forense é preciso entender o conceito e o contexto em que o termo se aplica.
Podcast IDG Now!
>Não existe crime perfeito na internet
Ciência Forense é uma área interdisciplinar que aplica um amplo espectro de ciências com o objetivo de dar suporte - respondendo perguntas - às investigações relativas ao sistema legal, mais precisamente ligadas à justiça civil e criminal. Entre seus desafios está a identificação do crime, o rastreamento das etapas que o precederam, a localização e preservação de evidências e a geração de documento de suporte legal.
Dentro do contexto eletrônico, a ciência chamada Forense Digital ou Computer Forensics, realiza inspeções sistemáticas em sistemas de computador e suas informações para evidenciar ou suportar a evidência de crime. Forense Digital requer conhecimento especializado passando pela simples coleta de dados e a preservação de provas.
Estamos necessariamente falando de ambientes eletrônicos, redes de computadores, sistemas operacionais e aplicações que exigem do perito, além de conhecimento especializado, ferramentas que o auxiliem nas diferentes etapas da investigação, assim como o que ocorre com a perícia criminal tradicional, que lança mão de luvas, lupas, microscópios e demais aparatos para identificar trajetórias, digitais e outros elementos de investigação.
Alguns dos cenários comuns onde se aplica a prática forense digital são:
• Abuso da Internet por funcionários
• Acesso não autorizado a dados e informações sigilosas
• Dano a ativos
• Espionagem industrial
• Crime de fraude
• Roubo de identidade
• Investigação de Pedofilia
Em geral os trabalhos se iniciam com a identificação de acessos não autorizados, atividades proibidas ou reguladas, uso ilegal de sistemas e informações, e para isso, realizam inspeções em discos rígidos, mídias removíveis, bancos de dados e qualquer outra potencial fonte de informação pericial.
Podemos dividir as etapas da Forense Digital da seguinte forma:
• Identificação de fontes de informação e evidências
• Preservação da evidência/prova
• Análise da evidência/prova
• Documentação de atividades de descobertas e conclusões
O exercício desta prática precisa encontrar o equilíbrio entre a abordagem puramente técnica e a abordagem puramente legal, pois precisa estar aderente aos padrões de evidência reconhecidos pela lei usando a técnica como instrumento.
Muitas são as ferramentas utilizadas na prática forense digital, onde se destacam as seguintes categorias:
• Duplicadores de mídia
• Coletores de log
• Identificadores de configuração
• Rastreadores de dados e strings
• Copiadores de memória
• Duplicadores de sistema operacional
• Mapeadores de rota de conexão
• Extratores de inventário
• Recuperadores de dados
• Decriptadores ou decifradores de código
• Analisadores de esteganografia
• Testadores de sistema
O famoso detetive Sherlock Homes que nos perdoe, pois diante da criatividade dos criminosos e da necessidade de tantos aparatos, já não se consegue fazer praticamente nada com a velha dupla: cachimbo e lupa.
Este tema tem consumido ultimamente boa parte das minhas horas de estudo e pesquisa, mais precisamente focadas nos campos de fraude eletrônica e contra-espionagem. É, sem dúvida, um nicho de grande potencial profissional, motivado pelo fértil momento em que os setores público e privado discutem os riscos da informação de forma integrada, colocando os aspectos legais e técnicos em igual condição de importância.
Marcos Sêmola é Diretor de Operações de Information Risk da Atos Origin em Londres, CISM, BS7799 Lead Auditor, PCI Qualified Security Assessor; Membro fundador do Institute of Information Security Professionals of London. Professor da FGV com especialização em Negociação e Estratégia pela London School, autor de livros sobre gestão da segurança da informação e inteligência competitiva. Visite www.semola.com.br ou contate marcos@semola.com.br
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