Segurança

Grupos como Anonymous e LulzSec são vândalos, critica Eugene Kaspersky

Renato Rodrigues, do IDG Now!
15 de dezembro - 08h00
Fundador da companhia de segurança também defende que internet torne-se uma "zona militar livre" para impedir uma futura ciberguerra.

Para um dos principais nomes da indústria de segurança digital, grupos de “hacktivistas” como Anonymous e o LuzSec não são diferentes de vândalos. “Eles são como os hooligans e os protestantes dos movimentos Occupy”, disse Eugene Kaspersky, criador e CEO da empresa que traz seu sobrenome. “Em ambos os casos, há danos financeiros para as vitimas e para os serviços que elas usam”, argumenta.

Segundo Kaspersky, o principal problema é que esses grupos, que ficaram famosos por ataques contra grandes empresas como a Sony e por vazamentos de dados de empresas militares, não possuem o poder de juízes. “ Eles não podem dizer o que é certo e o que é errado”, afirma. “Além disso, não são democráticos, por isso tenho essa opinião negativa”, diz.

"Grupos como Anonymous e LulzSec agem como supervisores e decidem o que é bom e o que é mau", critica. "Além disso, violam a lei de alguns países, pois a invasão de sistemas é crime em vários deles, portanto, tecnicamente são criminosos”, aponta.

Ciberguerra
O fundador da Kaspersky também prega que a internet deveria ser declarada uma “zona militar livre”, em que fosse proibido o desenvolvimento e uso de softwares capazes de danificar a infraestrutura de outros países. Para ele, a chamada ciberespionagem, que pode resultar em ciberguerra, é uma tendência crescente – e assustadora.

“Muitos países têm sido vítimas de ataques que não sabemos quem está por trás”, afirma. Ele diz que o vírus Stuxnet, que sabotou o programa nuclear iraniano, foi apenas o começo. “Os sistemas que controlam indústrias são muito parecidos, veremos mais e mais ataques do tipo”, argumenta.

E, pior que isso – os softwares de controle militar também são produzidos por meia dúzia de companhias. Logo, nada impede que nações ou mesmo grupos de cibercriminosos lancem ataques específicos.

Justamente por isso, a coisa toda pode sair do controle. “Um malware feito para atacar um sistema específico pode acabar atacando outros similares, porque sempre há erros no código dele”, explica. "Creio que isso possa acontecer, apesar de ser o pior cenário possível", diz o russo.

Ele nega exagerar o cenário de perigo. "Há anos falei sobre a criação de vírus móveis, e agora eles estão crescendo", diz. "O mesmo irá acontecer sobre os sistemas industriais, e isso não somente a minha opinião, mas também de pessoas desse setor", afirma.

Segundo ele, uma das soluções seria a criação de "passaportes" na internet para acessar sistemas considerados críticos, como contas bancárias e ferramentas que podem causar danos em larga escala, exemplo de controles industriais e militares. Dessa forma, somente usuários autenticados e com identificação na rede poderiam logar-se nessas redes, e com níveis variados de permissão.

Vírus móveis
Eugene Kaspersky também criticou a Google. Há semanas, um diretor da empresa criticou as empresas de segurança, acusando-as de fazer terrorismo com as falhas do sistema Android, que estão levando a um forte crescimento no número de malwares para o sistema.

Questionado pelo IDG Now! quanto ao fato de ter sido apontado como um dos líderes das companhias consideradas “charlatãs” pela Google, Kaspersky deu uma sonora gargalhada. “Em 1999, quando Peter Norton lançou o Norton Utilities, ele disse que vírus de computador eram lendas urbanas, com crocodilos no esgoto”, comparou. "É engraçado que engenheiros do Google não saibam sobre malware para Android", finaliza.