Segurança

IE9 vai bloquear rastreamento do que o usuário faz na web

IDG News Service/Seattle
08 de dezembro - 07h30
Recurso impedirá que as atividades de navegação sejam registradas por sites de terceiros; Firefox trabalha em um sistema com a mesma finalidade.

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A próxima versão do navegador web Internet Explorer vai deixar que os usuários ativem uma “proteção contra rastreamento” – um novo mecanismo feito para impedir que sites de terceiros rastreiem seus visitantes, avisou a Microsoft.

O anúncio coincide com a apresentação, pela Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos, de uma proposta para a criação de um sistema do tipo “não rastreie”, semelhante às listas de “não ligue” que permite aos consumidores não ser importunados por ligações telefônicas de telemarketing.

Para usar o novo recurso do IE9, o usuário terá de ativá-lo e, então, informar uma lista de sites para bloquear. Qualquer um – pessoas, empresas e grupos de proteção ao consumidor – poderá manter essas listas, e o usuário poderá incluir tantas listas quanto desejar.

“A proteção contra rastreamento do IE9 põe a pessoa no controle de quais sites podem obter seus dados enquanto ela navega na web”, disse o vice-presidente de IE da Microsoft, Dean Hachamotitch, em uma webconferência para apresentação do recurso.

Os usuários podem até gostar da ideia de terem o poder de impedir que certos sites rastreiem o que fazem na web, mas alguns poderão se decepcionar com o resultado. Isso porque os sites que forem bloqueados também terão seu conteúdo bloqueado.

Conteúdo bloqueado
Durante o webcast, os executivos mostraram uma demo pré-gravada de como o mecanismo funciona. Assim que o recurso foi ativado e começou a bloquear os sites, alguns conteúdos online fornecidos pelos sites de terceiros deixaram de aparecer na página.

As listas são baseadas em assinatura, o que significa que, quando ela for atualizada, as mudanças serão enviadas automaticamente aos assinantes. O IE9 vai verificar se há atualizações uma vez por semana.

O recurso não vai bloquear cookies feitos em Flash.

Segundo alguns especialistas, o anúncio é um passo na direção certa. Contudo, Michael Cherry, analista da Directions On Microsoft, pergunta se o recurso não poderia ir ainda mais longe. Isso porque a proteção contra rastreamento do IE9 só impede o rastreamento de sites de terceiros, não dos sites que o usuário visita diretamente.

“Eu esperava mais”, disse. “Quero ser capaz de dizer ‘Eu não quero que nenhum site me rastreie, esteja eu nele ou não’”. Por exemplo, se o internauta visitou um site em busca de informações médicas, ele poderia não querer que o site grave ou compartilhe informações sobre o que estava procurando. Mas a proteção contra rastreamento do IE9 não impede isso.

Questão importante
Seria bom ser capaz de bloquear até o rastreio dos sites que se visita diretamente, mas o anúncio da Microsoft responde a uma questão mais importante, que é o rastreio por sites de terceiros, disse Justin Brookman, diretor de privacidade do consumidor do Centro para Democracia e Tecnologia.

“As preocupações com privacidade [dos sites que se visita diretamente] existem e deveria haver um jeito de impedir isso, mas o rastreamento por múltiplos domínios é consideravelmente mais perturbador. As pessoas não se surpreendem tanto com o rastreio direto pelo site visitado”, disse.

Os sites serão capazes de descobrir se os visitantes estão usando a lista. Isso será benéfico, pois eles saberão que algum tipo de conteúdo poderá não ter sido exibido para o visitante, disse Hachamovitch. Por exemplo, se um site de imagens médicas usa um conteúdo de terceiro para entregar a imagem, o site poderá alertar o visitante de que, caso não esteja vendo a imagem completa, uma das razões poderá ser o bloqueio aplicado a sites de terceiros.

O mecanismo poderia ser subvertido por hackers, mas não é um “vetor de malware” porque não há software para instalar, disse Hachamovitch. Um hacker poderia, contudo, criar uma lista e dizer que ela veio de uma fonte legítima. “Os consumidores terão que ser cautelosos na hora de escolher a fonte de suas listas”, disse.

Recurso do Firefox
Os produtores do Firefox também estariam trabalhando em ferramentas para permitir que os usuários bloqueiem o rastreamento online. Esse projeto envolve o envio de um sinal pelo browser, para avisar que o usuário não deseja ser rastreado, explicou Hachamovitch.

O executivo classificou a solução dada pela Microsoft como complementar à que o Firefox vem estudando, e disse que as duas têm desafios. Com a abordagem do Firefox, ainda será preciso determinar o que um site faz quando recebe tal sinal, ponderou. Há ainda a questão da verificação e do convencimento de seu uso por esses sites.

A ideia do Firefox é boa, mas até agora algumas questões permanecem sem resposta, como o que acontece quando os visitantes ligam o recurso de não rastrear e visitam um site, disse Brookman. “Em termos legais, os sites são obrigados a obedecer?”, perguntou. A resposta a essa questão não é conhecida.

A abordagem da Microsoft tem sido criticada porque a lista exige atualização, disse Hachamovitch.

Fontes confiáveis
Além disso, os usuários terão de procurar listas de fontes confiáveis e que tenham o compromisso de atualizá-las com frequência. Empresas como os fabricantes de antivírus estariam numa boa posição para assumir este papel, disse Cherry. Os grupos de defesa da privacidade também poderiam criar listas para os consumidores.

Brookman concorda que a procura por boas listas pode ser algo cansativo, mas ressalta que os benefícios da ideia da Microsoft superam as desvantagens. “Uma vantagem da abordagem da Microsoft é que você não tem de confiar em pessoas para ter seu pedido reconhecido”, disse. Isso porque, se um terceiro estiver na lista do usuário, essa parte nunca receberá informação sobre o usuário.

A Microsoft promete liberar o recurso logo. O novo recurso de proteção contra rastreamento estará disponível na versão Release Candidate do IE9, prevista para o começo de 2011. Uma versão Release Candidate equivale à versão quase final do software.

A implantação técnica da abordagem do Firefox é clara, mas sobram dúvidas sobre o que os sites precisam ou não fazer, o que leva a crer que tal mecanismo não estará disponível tão cedo, argumentou Brookman.

(Nancy Gohring)