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Ataques e Ameaças

Pesquisa: 76% dos internautas brasileiros já caíram em golpes na web

Por Computerworld/EUA

Publicada em 08 de setembro de 2010 às 17h01
Atualizada em 08 de setembro de 2010 às 17h28

Para Symantec, que realizou levantamento global sobre o tema, mais impressionante foi constatar que mais da metade das vítimas se sente culpada.

Cerca de dois terços de todos os usuários da Internet já caíram vítimas de algum tipo de golpe na Internet. E, embora a maioria tenha se irritado com isso, parte considerável deles também se sente culpada, de acordo com uma pesquisa financiada pela Symantec.

Num levantamento sobre cibercrime que ouviu 7 mil internautas em 14 países, os pesquisadores descobriram que 65% dos usuários já foram vítimas de golpes pela Internet. Nos Estados Unidos, o índice é de 73%, mas a situação é pior em países como China (83%), Brasil (76%) e Índia (também 76%).

O custo da solução de um crime cibernético também varia bastante entre os países. A pesquisa da Symantec estima que, no Brasil, são precisos 43 dias a um custo de cerca de 1,4 mil dólares, em média.

Não é o maior prazo encontrado pelo levantamento. O Brasil perde para Alemanha (58 dias) e Índia (44 dias). Em custo, no entanto, o Brasil é líder entre os pesquisados, ficando à frente da China (945 dólares) e da Espanha (530 dólares).

Nos Estados Unidos, o prazo e o custo são de 17 dias e 130 dólares, em média.

Estes resultados impressionaram Marian Merritt, da Symantec, cujo trabalho consiste em rastrear este tipo de dado. “Acima de tudo, o que nos surpreendeu foi como o cibercrime se tornou algo comum”, disse.

Outra surpresa: como as vítimas reagem ao serem vítimas desses golpes. “As pessoas ficam zangadas, mas também descobrimos que se sentem culpadas: 54% disseram que deveriam ter sido mais cuidadosas, quando responderam a golpes online”.

O porcentual dos que sentiram raiva foi maior: 58%.

Quando solicitadas a identificar responsabilidades, 12% disseram que o incidente era inteiramente culpa sua, segundo o estudo.

Insegurança
Muitas pessoas se encontram em um estado bastante confuso quando lidam com a ameaça de crime online. Eles sabem que o cibercrime é comum, mas não estão seguros em relação ao que fazer para realmente preveni-lo, afirmou Merritt.

“As pessoas reconhecem que fizeram algo errado das formas mais variadas, mas não estão - na maioria dos casos – mudando seu comportamento”, afirmou Merritt. “Falta preocupação e conhecimento sobre a autoria e o mecanismo do cibercrime; como consequência, as pessoas realmente não sabem o que fazer.”

É claro que a Symantec, como fornecedora de software antivírus, avalia que manter o software de segurança atualizado é importante. Mas especialistas em segurança dizem que muitas das ameaças mais recentes passam frequentemente despercebidas por produtos antivírus.

Há, no entanto, diversas medidas que os usuários da Internet podem fazer para manter-se seguros. Os usuários também precisam ter cuidado com os sites que visitam; checar com cuidado os anexos que chegam; e desconfiarem de mensagens com caracteres embaralhados enviados de amigos via Twitter, e-mail da web ou redes sociais.

Denúncia
E eles também deveriam se manifestar, informando os ciberataques às autoridades, defendeu Merritt. Nos Estados Unidos, os casos são informados ao FBI, a polícia federal americana, por meio do site Internet Crime Complaint Center, mas também às autoridades locais.

No Brasil, crimes que envolvem roubos de senhas bancárias por meio de e-mails falsos (phishing scams) podem ser notificados à Polícia Federal pelo e-mail crime.internet@dpf.gov.br. Para crimes de racismo, pedofilia na web, a PF criou uma página específica. Alguns Estados mantêm divisões especializadas em cibercrimes, sob o âmbito da polícia civil.

Relatar os golpes às unidades locais de investigação de crimes de alta tecnologia pode realmente dar às polícias uma melhor compreensão do que os scammers procuram, disse Merritt. “Quando múltiplas pessoas informam o mesmo crime, ele chama a atenção”, disse. “A polícia só notará tendências se tiver as informações disponíveis.”

(Robert McMillan)
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