Movimento "Quit Facebook Day" não fracassou
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A campanha “Quit Facebook Day” pode ter fracassado no sentido de provocar a saída de um grande número de usuários do serviço, mas aqueles que se preocupam com a privacidade na internet têm uma dívida de gratidão com o movimento.
Se você continua usando o Facebook depois de ter ameaçado largá-lo, saiba que está em boa companhia. De acordo com os organizadores do “Quit Facebook Day”, apenas 31 mil usuários, dos quase 450 milhões presentes na rede, deletaram suas contas no dia indicado pelo movimento, última segunda-feira (31/05). A intenção era demonstrar a insatisfação dos membros quanto à política de privacidade da empresa.
A tentativa foi vista como malograda. É verdade que poucas pessoas seguiram a proposta da campanha, mas a repercussão obtida serviu para que o CEO da companhia, Mark Zuckerberg, anunciasse mudanças nas configurações de privacidade e fizesse questão de que tal atitude fosse devidamente noticiada.
A má publicidade e a propagada desonestidade de Zuckerberg forçou-o a realizar uma improvisada coletiva de imprensa na semana passada. Esse foi o primeiro momento em que se viu o fundador do Facebook descer de seu pedestal, para, finalmente, alardear as tão desejadas mudanças. De alguma forma, o “Quit Facebook Day” parece ter dado a sua contribuição.
Mobilização
O Facebook não ouve ninguém a não ser multidões enraivecidas.
Em fevereiro de 2009, por exemplo, quando a política de privacidade foi alterada, concedendo à empresa os direitos sobre “nomes e imagens” dos usuários para o uso em campanhas publicitárias, um protesto foi organizado e atraiu mais de 38 mil membros. Não demorou muito para que as coisas voltassem a ser como eram antes e o Facebook ainda prometeu que as próximas modificações seriam votadas pelo público.
Dois anos antes, em 2007, um recurso adicionado causou muita insatisfação. Chamado de Beacons, a ferramenta repassava ao Facebook os sites que os usuários visitavam. Tinha como objetivo oferecer aos anunciantes informações mais detalhadas sobre o público cadastrado no site. Os furiosos usuários espalharam suas reclamações pela internet e, só assim, Zuckerberg se desculpou publicamente pelos erros cometidos na implantação do Beacons.
Outro protesto ocorreu devido ao novo design do site, inaugurado em março de 2009. Duas comunidades foram criadas, “Petição contra o Novo Facebook” e “Eu odeio o novo Facebook”, cada uma com 1,6 milhões e 1,5 milhões de membros, respectivamente. Desta vez, a empresa não voltou atrás em sua decisão, mas afirmou que iria monitorar a insatisfação dos usuários a fim de ajustar sua página de acordo com o clamor popular.
Usuários atentos
O Facebook é uma empresa privada, portanto, pode alterar os termos de seu serviço quando desejar. No entanto, se não quiser ter o mesmo destino que outros portais outrora poderosos, como AOL e MySpace, deverá comunicar as mudanças projetadas aos usuários e ouvir suas vontades.
Será que o Facebook um dia aprenderá com seus erros? Ou os internautas terão que se mobilizar recorrentemente de modo a garantir seus direitos? Até lá, o melhor é manter a vigilância.
Longa vida à resistência do Facebook!


