Governo minimiza possibilidade de ataque cibernético como causa do apagão
Por Guilherme Felitti, do IDG Now!
Publicada em 11 de novembro de 2009 às 19h06
Atualizada em 12 de novembro de 2009 às 09h02
Responsável pela segurança de tecnologia do Brasil garante que sistema de controle da rede elétrica não tem acesso à web, mas admite possibilidade.
O Governo Federal praticamente descarta a hipótese de que o apagão que atingiu 18 Estados na noite desta terça-feira (10/11) tenha sido causado por ataques cibernéticos, embora admita que se trate de "um assunto que não se pode dizer 'não'".
"Ontem, antes das 22h13 (horário do apagão), não vimos nenhum movimento diferente na rede. Para este assunto, porém, é sempre um 'acho', já que não temos evidências. Não vi nada que me alertasse", afirma o diretor do Departamento de Segurança da Informação e Comunicações da Presidência da República, Raphael Mandarino.
A divisão, estabelecida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em maio de 2006, tem como obrigação prezar pela segurança dos sistemas eletrônicos do Governo brasileiro, assim como criar normas e capacitar os cerca de 900 mil servidores públicos.
A afirmação é sustentada por algo que Mandarino chamou de "dado fundamental": o sistema especialista da rede elétrica (chamado de sistema Scada) não está conectado à internet.
"É (um sistema) interno. Não vejo como um criminoso poderia atacar. Agora, existe a possibilidade? Claro que existe, pode haver um terminal configurado", afirma o diretor.
Ainda assim, o Governo Federal não conduzirá nenhuma investigação interna para apurar um possível ataque sorrateiro à rede elétrica interconectada no Brasil.
A possibilidade foi considerada após o programa 60 Minutes, da rede norte-americana CBS, afirmar que cidades brasileiras já haviam passado por blecautes após a ação maliciosa de criminosos online.
A informação de que o Governo dos Estados Unidos considera que apagões no Rio de Janeiro e no Espírito Santo em 2005 e 2007, respectivamente, foi confirmada também pelo jornalista Fernando Rodrigues, do jornal Folha de S. Paulo.
"O pessoal da CBS está me procurando há 4 meses para falar sobre isto. Até em Washginton e Buenos Aires (Raphael foi procurado), mas não respondi. Sinceramente,não conheço o assunto. O departamento começou em 2006 e eles começaram a falar (sobre os ataques) já em 2005. Fui atrás para investigar casos antes (da criação do departamento) e não tem nada", relata o diretor de segurança.
O Governo Federal ainda não apresentou oficialmente as causas do apagão, que se concentrou nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul.
O Ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, afirmou ainda na noite desta terça que o apagão poderia ter sido causado por um fenômeno atmosférico.
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