Combate ao spam no Brasil ganha novas regras pelo Comitê Gestor da Internet
Por Guilherme Felitti, editor assistente do IDG Now!
Publicada em 21 de maio de 2009 às 12h00
Atualizada em 22 de maio de 2009 às 16h34
São Paulo – Ação pretende diminuir uso das redes de banda larga para envio de spam. Segundo o CGI.br, até redes 3G sofrem com o problema.
O Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) oficializou nesta quinta-feira (21/05) recomendações para o combate ao spam no País, em conjunto com a Comissão de Trabalho Anti-spam (CT-Spam).
As recomendações pretendem balizar ações conjuntas entre serviços de e-mail e provedoras para diminuir o uso das redes de banda larga nacionais, sejam elas usando as tecnologias ADSL, cabo ou 3G, para a proliferação de mensagens indesejadas para internautas em todo o mundo.
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De acordo com teste do projeto SpamPots, realizado pelo CT-Spam em 2007, 99,9% dos spams que circulam no Brasil vinham de outros países. Desse volume, 94% tinha como destinatário final usuários de outros países, algo que ainda faz com que o Brasil encabece a lista dos países com o maior número de IPs enviando mensagens indesejadas.
Na lista do grupo de combate às mensagens indesejadas Composite Blocking List (CBL), IPs brasileiros são responsáveis por quase 15% dos spams enviados no mundo, à frente de Rússia (9,6%), Índia (9,2%) e Turquia (7,9%). Nenhum dos países que encabeçam a lista aplicam diretrizes como a oficializada pelo CGI.br nesta quinta.
O primeiro passo da iniciativa prevê que responsáveis por serviços de e-mail orientem usuários domésticos que usam softwares de gerenciamento de mensagens, como Outlook, da Microsoft, Thunderbird, da Mozilla, ou Mail, da Apple, para o bloqueio da porta 25, canal por onde tradicionalmente os spams são enviados.
Com um número suficiente de usuários já preparados para que suas mensagens cheguem ao destinatário sem precisar passar por aí, as operadoras começarão a bloquear o tráfego de dados na porta 25, algo que, segundo o CT-Spam, deverá diminuir, gradualmente, o volume de spams nas redes de banda larga nacionais.
Caso o bloqueio pelas operadoras seja feito sem um trabalho de conscientização por parte dos provedores de serviços de e-mail, o recebimento e envio de mensagens por parte dos usuários podem ser afetados.
Ainda que o CGI.br admita ter conversado sobre as diretrizes com "todas as operadoras" de banda larga nacional, apenas a paranaense Sercomtel já realizou a mudança.
O órgão estima que os bloqueios do canal de distribuição de spam comecem a ser feitos pelas operadoras em até 18 meses. Com a restrição, o CT-Spam explica que o benefício ao usuário deverá ser indireto, relacionado mais à melhoria na qualidade do serviço que na diminuição do volume de mensagens indesejadas em sua caixa postal.
No primeiro trimestre de 2009 o CERT.br, grupo de resposta a incidentes
de segurança para a Internet brasileira, mantido pelo NIC.br do Comitê
Gestor da Internet no Brasil, recebeu mais de 1,4 milhão de
notificações de spam.
De acordo com o Relatório Sobre Ameaças de Segurança na Internet, divulgado em meados de abril pela Symantec, o País é responsável por 4% de todo o spam enviado mundialmente. Na América Latina, o Brasil liderou o envio de mensagens não solicitadas, com 29% de participação na região, em 2008.
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