Fiasco do Facebook pode elevar debate sobre privacidade, defendem analistas
Por IDG News Service/EUA
Publicada em 10 de dezembro de 2007 às 13h20
Framingham - Críticas sobre invasão de privacidade da plataforma Beacon deverão trazer novamente ao debate público práticas de publicidade online.
A chuva de críticas que atingiram o serviço de propaganda Beacon, do Facebook na última semana, ironicamente, se provou como um desenvolvimento positivo para o movimento de privacidade online.
A rede social norte-americana foi obrigada a ajustar seu serviço dias após pesquisadores da CA descobrirem que o Beacon é muito mais intrusivo que o alegado.
Lançado no começo de novembro como parte do programa Facebook Ads, o Beacon registra as atividades dos membros da rede social em mais de 44 sites parceiros da plataforma e envia relatórios destas atividades para os amigos do usuário no Facebook. A análise da CA acusou também a plataforma de rastrear mesmo usuários que não têm contas na rede social.
Reclamações sobre as descobertas da CA rapidamente forçaram o Facebook a permitir que o usuário desabilite o sistema.
"Esta crise do Facebook é muito boa de certa maneira, já que mostra à comunidade o que está acontecendo", afirmou Pam Dixon, diretor-executivo do Fórum Mundial de Privacidade.
"Existem mais sites em outros lugares onde arranjos de dados similares acontecem, mas tudo agora está acontecendo sob o radar", afirmou Dixon.
Em post, o fundador e CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, se desculpou por problemas com o serviço.
"Simplesmente fizemos um péssimo trabalho com a função, e nos desculpamos por isto", disse. "Fizemos muitos erros ao construir a plataforma, mas fizemos ainda mais na hora de lidar com ela".
Kathryn Montgomery, professora de comunicação da Universidade American, afirma que o fato do Facebook permitir que usuários desabilitem o Beacon não mudará radicalmente as estratégias de marketing online traçadas por grandes empresas.
"Estas empresas", diz ela, "continuarão em marcha direta com a nova geração de práticas de marketing intrusivas baseadas em níveis nunca vistos de coleta de dados pessoais", prevê.
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