Ataque inédito de criminosos rouba identidade de uma corporação inteira
Por Equipe da Network World, para o Computerworld
Publicada em 03 de julho de 2007 às 10h20
Atualizada em 03 de julho de 2007 às 10h31
Framingham - FBI aponta uma 'evolução' no roubo de identidade em caso que uma empresa tenta roubar US$ 23 milhões fingindo ser outra.
Os criminosos aproveitaram um fator único: as duas empresas de segurança possuíam um nome praticamente igual. O problema aconteceu quando a Executive Outcome, baseada nos Estados Unidos, tentou receber no lugar da Executive Outcomes, da África do Sul, um montante próximo aos 23 milhões de dólares.
A empresa sul-africana forneceu equipamentos militares e treinamento para o governo de Serra Leoa, entre 1995 e 1997, e vinha fazendo esforços para receber esse débito do sistema judiciário do país cliente.
No final de 2001 começa o ‘roubo de identidade corporativo’. Uma empresa coletora de débitos do Reino Unido entra em contato com a Executive Outcome, dos Estados Unidos, para oferecer os serviços de cobrança de dívida de Serra Leoa. Pasquale John DiPofi, o dono da companhia norte-americana, mesmo sabendo que os recursos não são de direito para a sua companhia, contrata os serviços da empresa e começa a correr atrás dos documentos.
Momentos depois, DiPofi abriu uma nova companhia em Michigan, Estados Unidos, e na Inglaterra, chamada Executive Outcomes, na tentativa de espelhar o título da empresa sul-africana e evitar problemas legais.
A empresa de cobrança preencheu os papéis perante ao governo de Serra Leoa para benefício de DiPofi. Neste momento, o esquema começou a ruir: o governo daquele país já havia concordado em pagar a empresa sul-africana, conta o FBI. Serra Leoa refutou quando a nova cobrança foi enviada.
Mesmo quando a Executive Outcomes, da África do Sul, entrou com um processo contra DiPofi e a Executive Outcome, o dono da empresa norte-americana não voltou atrás. O FBI foi chamado quando representantes da empresa sul-africana receberam ligações por telefone demandando um acordo com DiPofi ou o ‘pior poderia acontecer’. O representante da empresa sul-africana também recebeu cartas com ameaças e fotos internas da sua casa.
O FBI invade o escritório de DiPofi e encontra documentos forjados. Depois de se declararem culpados de conspiração e fraude telefônica, entre outros crimes, DiPofi e um funcionário foram condenados a prisão e ao pagamento de mais 51 mil dólares ao representante da empresa sul-africana. DiPofi vai passar 40 meses preso e terá liberdade vigiada durante três anos, o funcionário vai cumprir 37 meses de prisão.
“Isto começou provavelmente como um crime de oportunidade”, afirmou o agente especial William Fleming em nota oficial. “Quando a ligação veio, as coincidências nos nomes e o valor devem ter sido tentadores demais”, acrescentou.
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