Crescimento de Web 2.0 gera dúvidas sobre segurança de sites colaborativos
Por Robert McMillan, para o IDG Now!*
Publicada em 07 de maio de 2007 às 07h00
Atualizada em 07 de maio de 2007 às 11h29
São Francisco - Especialistas de segurança temem que pragas que atingem o modelo de internet colaborativa afetem seu desenvolvimento.
Samy Kamkar estava apenas tentando impressionar garotas,
mas, ao invés disto, fez história entre os hackers online.
Kamkar criou o que é considerado o primeiro worm que atinge a Web 2.0 - uma
praga que não poderia ser bloqueada pelo firewall e que, por fim, forçou os
responsáveis pelo MySpace.com a tirar o serviço do ar.
O worm Samy foi apenas o mais proeminente de uma nova geração de ataques online
que alguns experts de segurança temem que podem desacelerar o rápido
crescimento do modelo de internet colaborativa conhecida como Web 2.0
O Samy chegou à internet no final de 2005. Kamkar declarou ter descoberto a
praga enquanto procurava uma forma de entrar em sites da web onde é possível
publicar conteúdo. Ele acessou as restrições do site MySpacce e adicionou um
código que “personalizaria” a aparência dos perfis.
"Uma tigela de burritos e alguns cliques" após descobrir a brecha,
Kamkar criou o worm com maior velocidade de infestação de todos os tempos.
Dentro de 20 horas, a praga tinha e espalhado entre mais de 1 milhão de
usuários do MySpace.com, forçando os infectados a selecionar Kamkar como
"herói" dentro do seu perfil.
O conglomerado News Corp. foi forçado a tirar do ar o MySpace para corrigir o
problema, e Kamkar pegou condicional de três anos por isto.
Diferente de pragas como MyDoom e Sobig, disseminadas há alguns anos, onde
sistemas foram derrubados e problemas técnicos surgiram, a praga de Kamkar não
fez nada para prejudicar os computadores dos usuários do MySpace. E, uma vez
que o problema estivesse corrigido na rede social, também estaria no resto do
mundo.
Para especialistas, como o CEO da consultora de segurança Sectheory.com, Robert
Hansen, a praga de Samy é um exemplo das conseqüências inesperadas que podem
surgir quando um administrador permite que os usuários contribuam com as
propriedades de seus sites.
Junto a outros pesquisadores de segurança, Hansen acredita que, sem uma mudança
radical na forma com que os navegadores interagem com a rede, o problema de
segurança na Web 2.0 apenas crescerá.
Desktops e servidores online não foram desenvolvidos para trabalhar juntos
quando se trata de segurança.
E uma vez que a Web 2.0 obriga as máquinas a executarem atividades cada vez
mais distantes das suas funções primordiais de publicação acadêmica, surgem as
complicações, diz Hansen, que mantém um site para discutir as últimas ondas de ataques online.
O Google Desktop é um exemplo que preocupa Hansen, já que, com este tipo de
serviço, vulnerabilidades na internet podem afetar o desktop. “Se você permite
que um site tenha acesso ao seu drive, você está confiando que este site é
seguro.”
Este é um problema enfrentado por sites como MySpace e eBay todos os dias, mas caso a visão do Google de integração entre desktops e internet se torne realidade, a segurança da Web 2.0 pode pressionar ainda mais usuário corporativos.
Mesmo que alguns pesquisadores não concordem com Hansen, afirmando que o
Google fez um trabalho admirável mantenho seu site livre de falhas, o problema
real de segurança está fora do controle de portais e buscadores, como o Google.
"Não existe modelo seguro para navegadores", afirma Alex Stamos,
fundador da consultoria Information Security Partners. "O problema é que o
Google está jogando pelas regrasque o Netscape instituiu há uma década".
Stamos classificou o modelo de Web 2.0 de compartilhar pequenos programas
gerados pelo usuário, chamado "widgets", como "completamente
insano" de uma perspectiva de segurança.
Na web, há dois ataques principais que preocupam os pesquisadores de
segurança: ataques que usam scripts maliciosos em múltiplos sites e ataques que
se aproveitam de múltiplos sites para roubar senhas.
Há diferentes tipos de ataques que usam scripts maliciosos em múltiplos sites,
mas o resultado é sempre o mesmo: o invasor encontra uma forma rodar códigos
não autorizados no navegador da vítima.
Sites que permitem que usuários publiquem seu próprio conteúdo utilizam
softwares de filtro que evitam que dados perigosos sejam postados. Mas no caso
da praga do MySpace, Samy encontrou uma maneira de burlar os filtros da rede
social e incluir seu JavaScript.
Em um segundo tipo de ataque que usa scripts maliciosos em múltiplos sites, o
site é enganado e roda um código JavaScript incluso na URL de uma página da
web. Geralmente, webdesigners não permitem que estes ataques funcionem, mas
erros de programação podem possibilitar a ação.
De acordo com Seth Bromberger, administrador de informações de segurança da
Pacific Gas and Electric, o modelo de Web 2.0 exige que a empresa se preocupe
não apenas com a segurança e confiabilidade do seu serviço, mas também de
outros interconectados a ele.
Bromberger preocupa-se com o fato de muitos serviços estarem sendo construídos
antes que todos os riscos de segurança sejam compreendidos por completo.
Ele diz, por exemplo, que os riscos de ataques que formam mútiplos sites para roubar senhas em redes de comunicação locais somente agora estão sendo analisados. Nestes ataques, o criminoso encontra uma forma de enganar o site, fazendo com que ele pense que está enviando e recebendo dados de um usuário que está conectado.
Ataques que se aproveitam de múltiplos sites são difíceis de serem ativados,
mas, em um alvo específico, são efetivos contra um grande número de serviços,
de acordo com o chief technology officer da WhiteHat Security, Jeremiah
Grossman, que ainda afirmou que ataques do gênero se tornarão a maior ameaça a
se combater nos próximos dez anos.
“É estranho não haver pesquisas que apontem como desenvolver um site seguro e
quais as melhores práticas para que uma companhia se proteja”, afirma o diretor
de informações de segurança da divisão PayPal do eBay, Michael Barret.
A opinião de Barret é de que muitos padrões básicos da web, como JavaScript e
HTTP, precisam ser repensados. “Se muitas empresas concordarem que existe um
problema ali, então a indústria começará a se mexer", propõe.
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