WiMax x LTE: especialistas apontam complementação em vez de competição

Guilherme Felitti, editor-assistente do IDG Now!
10 de março - 07h00 - Atualizada em 15 de março - 14h56
São Paulo - Com, pelo menos, 2 anos de vantagem, WiMax começa a se popularizar por cobertura fixa, enquanto LTE toma caminho da mobilidade.

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4G_LTE_88O Long Term Evolution (LTE) deverá ser oficializado como padrão de rede para banda larga móvel neste mês, quando o 3rd Generation Partner Program (3GPP) publica as especificações finalizadas em dezembro, e dá um empurrão na adoção do potencial primeiro sistema 4G do planeta.

De acordo com especialistas em telecomunicações, o LTE representa a primeira "banda larga móvel de verdade", um conceito que o mercado se cansou de relacionar ao WiMax mas que, pela falta de investimentos no padrão pelo mundo, ainda não chegou a se concretizar.

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A tradicional exigência de pesados investimentos em infra-estrutura de telecomunicações dará ao suposto rival do LTE, o WiMax, muitos meses de vantagem até que as primeiras redes comerciais do novo padrão cheguem aos consumidores.

“A única diferença é o público alvo: para o LTE, são operadoras. Para o WiMax, são as operadoras competitivas (empresas de outros setores que começaram a oferecer serviços de telecomunicações), fixas e, às vezes, móveis”, detalha José Geraldo Alves de Almeida, gerente de desenvolvimento e negócios da Motorola.

As afirmações de Almeida são confirmadas em um estudo publicado pela InStat que diz que, por mais que suas características técnicas sejam semelhantes, WiMax e LTE caminham para um cenário de convivência mútua atendendo dois nichos diferentes.

Enquanto o WiMax vem se tornando uma alternativa para que provedoras de banda larga aumentem sua área de cobertura fixa, o LTE é a saída para que operadoras móveis cubram “buracos” dentro de suas redes até que todas tenham migrado para a tecnologia.

“No fundo, o WiMax está virando uma solução de nicho, enquanto o 3G é algo mais de massa, com um volume (de usuários e dados trocados) muito maior”, analisa Eduardo Tude, presidente da consultoria Teleco.

Ambos citam como exemplo os planos de WiMax que a Embratel oferece atualmente para clientes corporativos no Brasil, após arrematar licenças de 3,5 GHz leiloadas pela Anatel em 2003.

E porque uma tecnologia tão amplamente atrelada ao conceito de banda larga móvel se torna, anos depois, um veículo que atenderá nichos? Um conjunto de falta de investimentos e de padronização, aposta Tude.

“Hoje, a maior dificuldade [do WiMax] é o 3G, que está crescendo enquanto sua padronização demorou e (a situação) complicou ainda mais com a crise financeira global”, detalha o consultor.

“Se não existisse o LTE, talvez o WiMax talvez tentasse ocupar esse espaço. Mas as operadoras já definiram todas [ que vão investir em] LTE. Está demorando muito mesmo [a aposta em WiMax]”, continua.