Modelo adotado pelas teles não suporta explosão de dados
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A Amdocs é a maior provedora de TI para companhias de telefonia. Elas são suas clientes e, portanto, a repassam suas dificuldades na esperança de que esta encontre uma forma de solucioná-las. Por isso, a empresa tem coisas interessantes para falar sobre as perspectivas do mercado.
Também não é a toa que esteja abrindo um novo centro de desenvolvimento em São Carlos – já possui um na cidade de São Paulo. Embora o País tenha alcançado índice de mais de um celular por habitante, o setor ainda possui larga margem de crescimento, principalmente por conta da Internet 3G, que avançou 130% ano passado, mas que não chegou nem a um quarto da população.
“Atualmente há quatro pontos principais para a região”, listou Nelson Wang, vice-presidente da Amdocs Brasil, em evento realizado nesta quinta-feira (2/02). “Gerar novas receitas com o 4G – cujo leilão de frequências ocorrerá em abril – integrar sistemas, atualizá-los, e modernizar a infraestrutura de rede, atendimento e tarifação (BBS/OSS)”.
Wang destaca que o tempo é curto, pois a Copa do Mundo e a Olimpíada farão com que as provedoras enfrentem picos de tráfego nunca antes vistos. Por mais que muito se fale sobre estradas, aeroportos e hotéis, o segmento de telecomunicações é um dos que mais exige atenção.
Modelo defasado
O investimento, no entanto, será precioso para os anos subsequentes - o tão falado legado. Se há uma preocupação que atinge todas as operadoras, esta diz respeito à explosão do consumo de dados: o tráfego de informações cresce acentuadamente ano após ano, enquanto que a arrecadação das companhias de telecom avança a pequenos passos.
Segundo informações divulgadas pelos institutos Gartner, Ovum, Informa e Yankee Group, a renda das empresas do setor aumentará 10,7% entre 2010 e 2014. Por outro lado, a troca de dados chegará em 2015 aos 86,5 Exabytes mensais – alta de 324% em relação aos 20 Exabytes de 2010.
Nesse sentido, Wang é taxativo: “o modelo atual não suporta tamanha demanda”. Segundo ele, será preciso melhorar bastante o gerenciamento e a personalização, eliminando o consumo inútil. Se a Internet compreender cada usuário, ele conseguirá, por exemplo, encontrar o que procura com a metade cliques, reduzindo o tráfego gerado.
Há ainda um agravante. A geração Z - os nativos digitais, nascidos a partir da segunda metade da década 90 – está crescendo e se multiplicando, e seus membros são bem mais exigentes em termos de banda. Segundo a agência de publicidade Arieso, apenas 10% dos usuários móveis respondem por 90% do tráfego global, mas, à medida que o número de pessoas “naturalmente” familiarizadas com a tecnologia aumente, a quantidade de heavy users também aumentará. Caberá às operadoras encontrar uma forma de lidar com eles – e com todos os outros.
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