ABTA rebate Ancine sobre preço da TV paga no Brasil: “Não é cara”

Redação do IDG Now!
02 de setembro - 19h51 - Atualizada em 15 de julho - 23h13
Pesquisa da associação que reúne empresas de TV por assinatura demonstra que preço no Brasil está dentro da média mundial.

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A Associação Brasileira de TV por Assinatura apresentou hoje um estudo feito nas últimas três semanas sobre o preço do serviço no País. O resultado rebate a afirmativa do presidente da Ancine, Manoel Rangel, em palestra durante o próprio congresso da ABTA, realizado no início de agosto, de que o preço da TV por assinatura aqui é um dos mais caros do mundo.

“Hoje o custo da assinatura no pacote de entrada está entre os mais baixos do mundo”, afirmou Gilberto Sotto Mayor, diretor da Net Serviços e coordenador do estudo. “E o preço da assinatura média, aqui, está alinhado ao preço dos demais países estudados”, completou.

O estudo da ABTA comparou os preços do Brasil, incluindo os impostos, aos de países como Argentina, Chile, Espanha e Portugal _ citados pelo presidente da Ancine na palestra _ além de França, Noruega e Reino Unido. Nas comparações foi levada em consideração apenas o serviço de TV por assinatura, excluídos os valores dos demais serviços que compõem os pacotes tipo combo (banda larga e telefonia).

Do mais caro para o mais barato, o Brasil é o quinto país em preço, mesmo levando em consideração a elevada carga tributária do país (ICMS, PIS, ISS, Cofins, Fust, Funtel, Condecine) e encargos como o  pagamento do ECAD e da taxa de uso dos postes. Entre os países da América do Sul, Argentina e Chile têm preço médio maior que o brasileiro: 27,60 Reais e 25,94 Reais, respectivamente, contra 23,56 Reais no Brasil. Já Reino Unido, França e Portugal têm preço médio menor que o brasileiro: 23,48 Reais, 22,60 Reais e 18,24 Reais, respectivamente.

Na opinião da ABTA, a metodologia aplicada pela Ancine deixou margem a uma série de considerações, revistas e aplicadas na nova pesquisa. Entre elas, a comparação de pacotes semelhantes. O uso  do  câmio atual, sem uma sensibilização. E também a manutenção dos canais obrigatórios (must carry) no cálculo do custo médio por canal, já que eles impactam diretamente no consumo de espectro para a oferta do serviço, e praticamente invalida o uso dessa métrica como referência, já que alguns países não praticam o must carry, como o Chile, e outros, como o próprio, têm uma variedade muito grande de quantidade de canais obrigatórios. Segundo o levantamento, o preço médio por canal no Brasil é de R$ 1,46, ante a média de R$ 1,39 de outros países.

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"Para gente existem duas medidas muito importantes: o pacote mais barato, por ser a barreira de entrada e a média que se paga", explica Gilberto Sotto Mayor. "Os resultados que encontramos explicam o crescimento da base de assinantes. Como é que eu posso ter 60% de crescimento na classe C com problemas de precificação?", argumenta ele.

Se preço não é problema, há uma oportunidade para crescer ainda mais rápido?  Na opinião do presidente da ABTA, Alexandre Annenberg, sim. Não só persistindo o cenário econômico que favoreceu o aumento do poder aquisitivo da classe C, e que começa a chegar a outras classes, como também pelo aumento de escala e a inclusão de novos recursos como alta definição, 3D e a banda larga. "Além disso, só 5% dos municípios brasileiros têm TV a cabo. Os outros 95% não têm. Há um terreno amplo e livre para um crescimento muito significativo", afirmou Annenberg.

Ele lembra que todo o modelo regulatório da TV por assinatura deve ser profundamente transformado a partir ano que vem, com a entrada de múltiplos players em uma atividade que há é extremamente competitiva. "Na TV a cabo temos 59 empresas, no DTH, dez, no MMDS mais de trinta empresas competindo. Em qualquer um dos 250 municípios você encontra a concorrência direta, com diferentes tecnologias", diz Annenberg. Com a entrada das companhias telefônicas nesse mercado, a capilaridade do serviço deverá aumentar, assim como a competição. E tudo isso desverá contribuir para o crescimento do mercado como um todo.

Até julho de 2010, comparado a dezembro de 2009, o segmento de TV por assinatura cresceu 13% no número de assinantes. A projeção da ABTA é de crescimento de 20% este ano.