Sete previsões para smartphones em 2010

Computerworld (EUA)
07 de dezembro - 22h18 - Atualizada em 15 de março - 12h13
Dispense a bola de cristal: o ano será dos celulares superpoderosos. Saiba como isso vai acontecer.

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Com base nos números do crescimento do mercado de smartphones, é fácil prever que as vendas vão continuar elevadas em 2010.

Mas a verdadeira história do futuro do smartphone não se revela pelos números, e sim nas diferentes histórias, contadas das mais diversas formas, por quem usa o aparelho.

Uma dessas pessoas é John Davis, que atua como médico há anos. Ele acaba de comprar um smartphone Droid numa loja da Verizon Wireless, em Boston (EUA).

Davis tem muitas razões para comprar um Droid. A principal é que este é o aparelho que chega mais perto do tão bem-sucedido iPhone, e que funciona na rede da Verizon.

Cliente da Verizon há anos, Davis revela que sua confiança na rede da empresa é maior que na da concorrente AT&T, que tem exclusividade para comercializar o iPhone nos EUA.

Fora alguns problemas iniciais, como a voz com eco, Davis acha o Droid prático tanto para uso pessoal como profissional. Ele pode usá-lo para encontrar novas pesquisas médicas e trocar e-mail com colegas. O recurso GPS do Droid é outra vantagem.

É assim que Davis resume o que poderia ser o maior impacto do smartphone no mundo da computação e das comunicações: “No fim das contas, esta coisa é o meu computador”.

Ele quer dizer, claro, que o Droid - ou um futuro smartphone - poderia algum dia tomar o lugar do PC de mesa, do laptop e até de outros telefones.

Se os smartphones vão mesmo substituir outros tipos de computadores, só o tempo dirá. O fato é que eles já são, hoje, poderosos e populares.

De fato, eles têm sido populares o suficiente para sustentar o mercado de comunicação móvel em plena recessão, e continuarão a gerar um saudável crescimento para o setor em 2010, de acordo com diversas empresas de pesquisa.

Esta é a base da primeira previsão para 2010, e é uma das mais garantidas.

1. Os smartphones vão tomar uma porção ainda maior do mercado geral de telefones móveis.

Dos mais de 1,2 bilhão de celulares que deverão ser entregues em todo o mundo em 2009, aproximadamente 190 milhões serão smartphones, estimou recentemente a Frost & Sullivan. A mesma pesquisa afirma que, em 2010, aproximadamente 1,3 bilhão de celulares serão entregues, e 250 milhões deles serão smartphones.

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O analista Gerry Purdy, da Frost & Sullivan, prevê que daqui a cinco anos nos EUA, onde o crescimento de smartphones tem sido vigoroso, virtualmente todos os celulares vendidos por lá serão smartphones.

Por causa da recessão global, as vendas de celulares tiveram um crescimento mais lento durante os últimos 12 ou 18 meses, mas o número de assinantes cresceu durante o período, e o crescimento das vendas de smartphones foi “surpreendente”, um resultado que está em sintonia com o que poderíamos esperar de um mercado em crescimento, acrescentou Purdy.

Outras empresas de pesquisa, incluindo a IDC, detectaram um crescimento nas vendas de smartphones no terceiro trimestre de 2009, com ainda mais por vir.

2. A AT&T vai perder a exclusividade de venda do iPhone nos EUA.

Uma indicação de que a Apple seguirá em busca de mais operadoras para o iPhone é que, em diversos outros países – como o Brasil, por exemplo – a empresa já tem acordos com múltiplas operadoras.

Em termos econômicos, não faz sentido para a Apple ficar amarrada a uma única operadora, argumentam os analistas. Alguns discordam, mas para a maioria o acordo de exclusividade com a AT&T está perto do fim.

“É certo que a AT&T irá perder a exclusividade do iPhone dentro de um ano”, avalia Jack Gold, analista da J.Gold Associates. “A Apple seria louca se mantivesse o acordo com uma única operadora.”

A AT&T passou por um sério problema de relações públicas por causa da cobertura da rede que serve ao iPhone, e isso poderia influenciar a decisão da Apple. Em novembro, a Apple apoiou a AT&T exibindo dois anúncios de TV. Eles sustentavam que a rede da AT&T permitia aos usuários do iPhone realizar múltiplas tarefas em um único aparelho, de forma simultânea.

 Mas aqueles anúncios pareciam mais ter sido uma resposta a outra campanha da Verizon, que chamava a atenção para o fato de que a ela oferece uma cobertura 3G mais ampla que a da AT&T.

A AT&T atacou os anúncios da Verizon por meio de um processo judicial, classificando-os de tendenciosos, mas tanto este processo como um outro, iniciado pela Verizon, foram retirados no início de dezembro.

3. O sistema operacional móvel Android vai decolar.

Esta é uma previsão bastante tranquila, já que diversos fabricantes de celulares anunciaram modelos baseados no Android, o que poderia elevar o número total de dispositivos com Android em 2010 para 36, ressalta Purdy.

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Com o Droid da Verizon perto de atingir 1 milhão de unidades vendidas já no primeiro trimestre em que é oferecido, de acordo com algumas pesquisas, algumas das dúzias de outros novos aparelhos Android também poderão vender bem.

O sistema operacional Android deve fechar 2009 com presença em 3,7 milhões de smartphones entregues pela indústria. Mas esse número poderá mais que dobrar em 2010, saltando para 8,2 milhões, e o Android poderia começar a mostrar sua força no mercado de sistemas para smartphone lá por 2014, estima a Frost & Sullivan.

Em 2014, o Android poderá ser o terceiro sistema operacional mais popular, equipando cerca de 65 milhões de aparelhos. Isso o colocaria atrás apenas do líder Symbian OS, que é usado em aparelhos da Nokia e que deve equipar 233 milhões de aparelhos naquele ano, e do
BlackBerry, da RIM, que estará presente em 92 milhoes de aparelhos, segundo pesquisa da Frost & Sullivan.

O Gartner acredita que o Android fará mais que isso, tomando o segundo lugar da RIM ainda em 2012.

O Android se beneficiará de ser um sistema aberto – um fato que, segundo o Gartner, vai interessar a uma ampla faixa de desenvolvedores de aplicativos. As operadoras móveis e os fabricantes também vão oferecer aparelhos Android que se diferenciarão uns dos outros.

É possível que alguns celulares Android sejam projetados para usuários de negócios, enquanto outros terão em mente os consumidores, com aparelhos que serão ainda mais focados em nichos de mercado, como redes sociais ou música.

4. As lojas de aplicativos móveis vão continuar a crescer.

Esta é outra previsão segura, dado o sucesso da App Store da Apple e da proliferação de imitadores. Dados do começo de novembro dão conta de que a App Store oferecia mais de 100 mil aplicações criadas por terceiros, e já tinha atendido a mais de 2 bilhões de downloads.

O sucesso da App Store abriu caminho para a criação de lojas semelhantes por diversos fabricantes de smartphones e pelas maiores operadoras de celular. O desafio, dizem os analistas, será fazer com que seja mais fácil, para os usuários, procurar pelo software desejado, e continuar a atrair desenvolvedores, dando-lhes a sensação de que seu trabalho será bem remunerado.

Purdy, por exemplo, sugere ser preciso algum ajuste na Ovi Store da Nokia, que foi alvo recente de críticas por seu desempenho ruim.

A Nokia deveria até considerar a possibilidade de tornar a Ovi mais orientada a serviços, oferecendo aplicações e serviços a aparelhos que não rodam Symbian, incluindo smartphones com Android, acredita Purdy. “Ovi, fature com as vendas para o Android”, aconselha.

5. Serviços baseados em localização vão estourar mesmo nos smartphones.

Os usuários têm esperado por anos pelos serviços baseados em localização (LBS, na sigla em inglês). Finalmente, “2010 será o ano do LBS”, acredita Gold.

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Aplicações como as orientações de trânsito por áudio rua-a-rua do Google no Droid mostram como as ferramentas GPS se tornaram ricas. Agora, com os serviços baseados em localização, as pessoas serão capazes de usar seus smartphones para encontrar amigos e cair na balada.

Enquanto isso, os homens de negócio serão capazes de usar os serviços baseados em localização de seus smartphones para rastrear entregas ou funcionários em serviço mais rápido e facilmente do que com os serviços adicionais disponíveis atualmente, garante Gold.

Um fator de impulso dessa mudança rumo aos serviços baseados em localização está no fato de que os anunciantes serão capazes de adicionar publicidade a tais serviços. Por exemplo, se você procura por restaurantes italianos perto de onde está, você poderá obter não apenas um mapa online com indicações de localização, mas também anúncios pop-up desses mesmos restaurantes.

Todos esses anúncios vão oferecer suporte a agregadores de publicidade. O Google recentemente comprou a AdMob, uma empresa que oferece tecnologia para oferecer anúncios em dispositivos móveis, o que inclui os aparelhos de bolso com sistema Android.

“Para o Google, a publicidade é onde o dinheiro está. É por isso que ela vem criando tantos serviços móveis gratuitos”, observa Gold.

6. O FCC vai tomar partido das operadoras móveis na neutralidade na net.

Gold e Purdy juntam-se a um amplo grupo de analistas que prevêem que os reguladores verão as operadoras móveis de modo diferenciado em relação às operadoras a cabo.

Isto significa que eles acreditam que a Comissão Federal de Comunicações dos EUA (FCC, na sigla em inglês) e outras agências darão às operadoras móveis algum tipo de permissão para restringir grandes downloads de dados por alguns poucos usuários que acabam ‘roubando’ largura de banda que poderia ser utilizada pelo resto dos usuários. O resultado será que essas operadoras vão inevitavelmente cobrar muito mais por grandes downloads de dados, de acordo com os analistas.

“O FCC vai acabar ouvindo as operadoras que têm preocupações legítimas” sobre redes sobretaxadas, argumenta Gold, que espera que alguns limites em downloads de dados sejam permitidos.

Purdy, por sua vez, diz que em 2010 os reguladores governamentais dos EUA vão começar a ver as redes sem fio das operadoras como similares às estradas pedagiadas, onde os motoristas pagam um prêmio por, presumivelmente, estradas que são menos congestionadas e mais bem mantidas do que as estradas sem pedágio.

7. Mais tipos de aparelhos, como tablets, vão surgir.

Mais dispositivos, como e-readers e laptops de baixo custo, vão aparecer em 2010, ajudando a moldar o modo como as pessoas usam smartphones e outros computadores.

Purdy lembra que a previsão para os próximos cinco anos é pelo crescimento contínuo nas vendas de smartphones, de laptops de tamanho regular (em oposição aos netbooks) e de e-readers.

Diversos e-readers vão chegar ao mercado em 2010, e a Apple promete lançar um computador tablet que funciona como e-reader e visualizador de mídia, diz Purdy. Ao mesmo tempo, os notebooks poderão começar a cair em preço, colocando um pedra no caminho do bem-sucedido mercado de netbooks.

Purdy diz ainda que o smartphone continuará a ser o aparelho de computação e comunicação mais vital que as pessoas carregarão em 2010, mas que ele continuará a ser um complemento para aparelhos maiores, especialmente notebooks, que, por causa de suas grandes telas e de seus teclados de tamanho natural, são melhores para operar com documentos e com e-mail. Pesquisadores da Intel têm expressado idéias parecidas sobre usuários que escolhem mais de um computador.

Muitas pessoas poderiam usar os dois – laptop e smartphone – além de um computador intermediário, como um e-reader, com uma tela que é menor que a do laptop mas que é maior que a do smartphone, de acordo com a visão de Purdy.

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Diferentemente de alguns analistas, Purdy diz que as telas dos smartphones nunca serão grandes ou nítidas o suficiente para serem usadas por horas de leitura ou de vídeo. Por consequência, os smartphones serão usados como complemento de e-readers.

Assim, diz, os smartphones não serão o único computador que as pessoas usarão.

Ou para resumir a previsão de Purdy em termos de vida real, alguém como John Davis, o médico, provavelmente não se livrará de seu laptop tão cedo e poderia até comprar um e-reader, talvez em 2010. Isso significa que seu smartphone Droid poderia um dia ser um de seus poucos dispositivos computacionais, mas não seu único, como ele espera.

(Matt Hamblen)