TV Globo vai testar TV interativa no Brasileirão 2009 e no BBB
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Enquanto você assiste aos jogos do Campeonato Brasileiro, poderá acessar a escalação dos times, uma tabela com os resultados de todas as partidas que acontecem na rodada, ver quais estão se classificando para a Libertadores e quais estão zona de rebaixamento.
Esse é um exemplo de uso dos aplicativos de interatividade para TV Digital que a TV Globo está preparando já para este ano, assim que os primeiros conversores com Ginga J chegarem às prateleiras.
Ginga é o middleware, uma espécie de
software, que poderá ser instalado no conversor de sinal digital para
permitir a execução dos aplicativos de interatividade na TV.
Por enquanto, apenas parte da regulamentação do Ginga foi publicada
pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) - a parte com
suporte às linguagem NCL e LUA.
A última parte das regras - a que inclui suporte à linguagem Java e, assim, os aplicativos para interatividade completos - devem ir para consulta pública em breve e o anúncio final, segundo a ABNT, só deve sair a partir de agosto deste ano.
Segundo o diretor de engenharia da TV Globo, Raimundo Barros, na próxima edição do reality show Big Brother Brasil estará também disponível um aplicativo que permite que o espectador acesse informações sobre cada participante, bem como veja quem está no “paredão” e vote em quem deve ser eliminado. Tudo pelo controle remoto.
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Aplicativos de interatividade já têm sido desenvolvidos pela TV Globo há desde 2006. Os primeiros testes foram realizados para usuários da NET e Sky Digital, no Carnaval e Copa do Mundo daquele ano.
Na Olimpíada de Pequim, em 2008, foram feitos os primeiros testes fechados de interatividade com o sinal de TV Digital terrestre - antes do sinal terrestre, que estreou no Brasil em dezembro de 2007, os testes eram feitos pelo sinal digital via satélite e via cabo.
No início de abril, a Globo demonstrou um aplicativo criado em parceria
com a Central Globo de Produção. O sofware está sendo transmitido
simultaneamente com a novela "Caminho das Índias" e traz enquetes e
descrições de personagens, que podem ser acessados pelo controle remoto e ocupam parte da tela do televisor.
“Até aqui, todo o desenvolvimento era apenas dentro área de engenharia da TV Globo, sem envolvimento da produção ou do jornalismo", afirma Barros. Desde o ano passado, segundo o executivo, outras áreas começaram a abraçar a interatividade. "As últimas eleições tiveram a participação da Central Globo de Jornalismo. Publicávamos os resultados divulgados pelos Tribunais Regionais Eleitorais usando duas barras pretas na programação digital”, afirmou.
Ginga
Barros explica que todos os aplicativos de interatividade desenvolvidos pela Globo são “Ginga Full”, ou seja, baseados no middleware Ginga, com suporte tanto ao padrão NCL quanto ao padrão J, (Java). Portanto, só será possível usar os serviços interativos quando os primeiros middlewares com Ginga J já estiverem disponíveis.
“Não há hoje no mercado conversores com o ‘Ginga Full’ (que suportem os padrões Java ou NCL) embarcado. O que existem são algumas empresas já com protótipos do middleware completo, demonstrando que as dificuldades técnicas já estão superadas. O dia em que esse produto estiver no mercado, você já poderá acessar os aplicativos”, explicou.
A Globo tem trabalhado com interatividade em parceria com a empresa TQTVD, que desenvolve aplicativos para TV Digital. A emissora não divulga, no entanto, o valor total investido no projeto.
Estratégia
Barros afirma que a emissora aposta na interatividade como um pilar da TV Digital. “A interatividade é uma forma de criar comunidades com o público pois, com o canal de retorno, será possível receber os comentários dos espectadores em relação aos programas que estão no ar".
Dar voz ao telespectador também poderá viabilizar novos modelos de negócios, segundo o executivo. "Além disso, existem oportunidades de novos modelos de negócio mais à frente. Os canais de retorno também vão proporcionar negócios com as operadoras de telecomunicações. É uma excepcional oportunidade e acreditamos nisso”, declarou.
Atualmente, 35% dos domicílios com televisão no Brasil são cobertas pelo sinal de TV Digital pela TV Globo ou algumas de suas afiliadas. A penetração do canal fica evidente quando se considera que, das 18 cidades que já contam com o sistema, 16 têm sinal de TV Digital por afiliadas da Rede Globo.
Até a Copa do Mundo de Futebol de 2010, a Globo terá 30 emissoras capazes de transmitir o sinal digital.


